Cabo Verde estreia na Copa do Mundo de 2026 com empate contra a Espanha
Cabo Verde estreou na Copa do Mundo de 2026 com um empate sem gols contra a Espanha. O goleiro Vozinha, de 40 anos, foi destaque da partida
A seleção de Cabo Verde, apelidada de "Tubarões Azuis", tornou-se um dos destaques da Copa do Mundo de 2026 ao estrear no torneio com um empate sem gols contra a Espanha, atual campeã europeia. O resultado elevou o goleiro Vozinha, de 40 anos, ao status de herói nacional e impulsionou a visibilidade do pequeno arquipélago africano, cuja população de 524 mil habitantes — dado do Banco Mundial para 2024 — é comparável à de Florianópolis. O apoio ao time tem sido sintetizado pela expressão em crioulo "Nu sta djunto, Kabu Verdi" (Estamos juntos, Cabo Verde), que reflete a solidariedade entre os residentes das ilhas e sua vasta diáspora, estimada pelo governo em 2 milhões de pessoas, concentradas principalmente nos Estados Unidos e em Portugal.
Localizado a 600 quilômetros da costa oeste da África, o país possui 4 mil quilômetros quadrados divididos em dez ilhas, sendo nove habitadas. O território é segmentado entre as ilhas de Barlavento (Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal e Boa Vista) e as de Sotavento (Maio, Santiago, Fogo e Brava), sendo Santa Luzia a única desabitada por ser uma reserva natural. A colonização portuguesa iniciou-se em 1456 com a fundação de Ribeira Grande, na ilha de Santiago, cidade hoje chamada de Cidade Velha e situada próxima à capital, Praia. O nome do país deriva da península de Cabo Verde, no Senegal, ponto mais próximo do continente africano.
A posição geográfica estratégica transformou o arquipélago, a partir do século XVI, em um centro crucial do tráfico transatlântico de escravizados por mais de três séculos, com a venda anual de cerca de 3 mil pessoas vindas da África para as Américas e Europa. Essa herança, somada ao trabalho forçado em plantações de algodão e minas de sal, resultou em uma população majoritariamente mestiça. Culturalmente, essa fusão manifesta-se no idioma: embora o português seja oficial, fala-se o crioulo cabo-verdiano em nove variantes regionais. A influência colonial também é evidente na religião, com 72,5% de católicos, conforme o anuário The World Factbook da CIA.
A economia é impulsionada pelo turismo, que representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), atraindo 1,2 milhão de visitantes em 2024. O desenvolvimento do país, porém, enfrenta limitações geográficas: apenas 11% da superfície é cultivável, predominando rochas vulcânicas e a ausência de rios ou fontes naturais de água doce, o que torna as usinas de dessalinização essenciais para o abastecimento. O relevo varia entre dunas nas ilhas de Sal, Boa Vista e Maio, e montanhas em Santo Antão e São Nicolau. O ponto culminante é o Pico do Fogo, vulcão ativo que, entre novembro de 2014 e fevereiro de 2015, causou prejuízos superiores a US$ 50 milhões e a evacuação de mil pessoas.
Politicamente, Cabo Verde conquistou a independência de Portugal em 5 de julho de 1975, após lutas lideradas por Amílcar Cabral nas décadas de 1950 e 1960. O regime de partido único persistiu até 1990, dando lugar ao multipartidarismo e às primeiras eleições democráticas em 1991. Atualmente, o país é reconhecido por sua estabilidade institucional, com alternância de poder exemplificada pela eleição de José Maria Neves, de centro-esquerda, em 2021, após dez anos de governo do partido de centro-direita MPD.
No campo cultural, o país é berço da morna, gênero melancólico que expressa a saudade e foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2019, tendo em Cesária Évora sua principal expoente. Outro estilo marcante é o funaná, ritmo acelerado conduzido por acordeão e ferrinho. Na fauna, destaca-se o morcego-de-orelhas-cinzentas, única espécie de mamífero endêmica do arquipélago.