Calendário vendido em Roma com fotos de "falsos padres" ganha destaque na imprensa italiana
O Calendario Romano, produção independente de Piero Pazzi vendida em Roma, utiliza modelos que não pertencem ao clero para retratar jovens com trajes sacerdotais. O fotógrafo informou que, na edição de 2027, ao menos um terço dos homens são padres
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Y/6/CoPCM0TXqhDprdRCd7Bw/ap26140483852995.jpg)
Um calendário que retrata jovens com trajes sacerdotais tornou-se um item tradicional em Roma ao longo das últimas duas décadas, embora a maioria dos modelos não pertença ao clero. A publicação, oficialmente chamada de Calendario Romano, ganhou destaque nacional recentemente após reportagem do jornal La Repubblica apontar que a obra consiste, em grande parte, em "falsos padres".
Um dos rostos mais recorrentes nas edições é o de Giovanni Galizia, que aparece em diversas capas usando colarinho clerical em uma foto tirada em Palermo. Galizia, que tinha 17 anos na época da sessão e hoje é comissário de bordo de uma empresa aérea espanhola, afirmou que a participação foi apenas uma brincadeira. Ele revelou conhecer apenas um outro modelo, um francês que também não era sacerdote.
O projeto é assinado pelo fotógrafo Piero Pazzi, que também criou calendários de gondoleiros venezianos e museus sobre gatos em Budapeste e Montenegro. Pazzi informou que, na edição de 2027, pelo menos um terço dos homens retratados são, de fato, padres, mas não detalhou a composição total.
Apesar de incluir informações sobre o Vaticano e ser vendido por cerca de 8 euros (aproximadamente R$ 50) em lojas no centro histórico de Roma e nos arredores da Santa Sé, o calendário é uma produção independente e não possui vínculo com a Igreja Católica, que não comentou o caso.
Vendido diariamente em pontos turísticos, o material atrai inclusive público estrangeiro; um sacerdote sul-coreano relatou que a publicação é conhecida entre jovens de seu país, que a encaram com humor.
Sobre a percepção de sensualidade das fotos em preto e branco, Galizia e Pazzi negam que essa tenha sido a intenção original. Para o modelo, a confusão ocorre porque a beleza contemporânea é frequentemente interpretada apenas sob a ótica da sexualidade, embora ele considere a capacidade de parecer sexy usando roupas clericais como um elogio.
Em termos financeiros, Pazzi recebe royalties pelas vendas, que somam milhares de exemplares anualmente. Galizia, que assinou a autorização de uso de imagem na época, afirmou nunca ter solicitado pagamentos pelas fotos.