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Canadá cria novo padrão nacional para reformular a abordagem escolar sobre o uso de substâncias

10 de Maio de 2026 às 15:11

O Canadá lançará um padrão nacional de prevenção e intervenção ao uso de substâncias em escolas, substituindo medidas punitivas por abordagens restaurativas. A iniciativa, baseada em evidências, visa enfrentar dados como o consumo de cigarros eletrônicos por 15% dos alunos do 7º ao 12º ano. O projeto inclui ferramentas de autoavaliação e treinamentos para instituições de ensino e famílias

Canadá cria novo padrão nacional para reformular a abordagem escolar sobre o uso de substâncias
Timothy A. Clary/AFP

O Canadá prepara o lançamento de um novo padrão nacional para reformular a maneira como as escolas lidam com o uso de substâncias por estudantes, desde a educação infantil até o ensino médio. A iniciativa surge para substituir abordagens obsoletas, baseadas em táticas de medo e na simples abstinência, que pesquisas demonstram não ter impacto duradouro.

A medida responde a um cenário preocupante: dados nacionais indicam que 15% dos alunos do 7º ao 12º ano utilizaram cigarros eletrônicos no último mês, enquanto 18% relataram o consumo de múltiplas substâncias simultaneamente. Além disso, estudantes do 7º ano frequentemente não conseguem identificar os riscos à saúde dos produtos aos quais têm fácil acesso.

O novo documento não prescreve um programa único, mas estabelece uma estrutura baseada em evidências com princípios e práticas de prevenção, educação e intervenção. O objetivo é complementar as ações já realizadas por distritos escolares, províncias e territórios, adaptando as estratégias ao estágio de desenvolvimento do aluno. O modelo prevê que crianças menores foquem no fortalecimento de competências pessoais, enquanto adolescentes mais novos respondam a normas sociais e os mais velhos a questões de influência social e transições de vida.

A proposta prioriza a permanência do aluno na escola e a busca por ajuda, afastando-se de políticas de tolerância zero. O padrão defende que medidas punitivas, como suspensões e expulsões, rompem vínculos protetivos e, somadas à presença policial nas escolas, estão associadas a taxas mais altas de consumo de substâncias a longo prazo. Em substituição, a diretriz sugere abordagens restaurativas e planos de apoio voltados à saúde e segurança.

O desenvolvimento do projeto resultou de uma parceria entre a University of British Columbia (via Wellstream), o Canadian Centre on Substance Use and Addiction e a Canadian Association of School System Administrators, com apoio de organizações como a Physical and Health Education Canada e a Students Commission of Canada. O processo contou com a contribuição de profissionais da saúde, educadores, representantes indígenas e a participação ativa de jovens no comitê técnico.

A necessidade de mudança é corroborada por uma pesquisa com mais de 200 administradores escolares, na qual quase 90% relataram desafios frequentes com o uso de substâncias, destacando o vape como a principal preocupação. Embora dois terços desses gestores queiram mudar a abordagem, a maioria afirma carecer de recursos, evidências ou apoio sistêmico para fazê-lo.

Para viabilizar a implementação, o padrão incluirá uma ferramenta de autoavaliação para as escolas, além de treinamentos e materiais informativos para famílias e redes de ensino. No entanto, a eficácia da medida depende de investimentos estruturais, como a criação de cargos específicos, tempo para formação profissional e a integração entre os sistemas de educação e saúde, combatendo a visão de que o consumo de drogas na adolescência é apenas um problema individual, ignorando fatores sociais e estruturais.

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