Candidatos governistas venceram apenas três das últimas vinte eleições presidenciais na América do Sul
Forças governistas venceram apenas três das últimas 20 eleições presidenciais na América do Sul. O Partido Colorado, no Paraguai, e a reeleição de Daniel Noboa, no Equador, figuram entre as exceções. O levantamento excluiu a Venezuela por falta de eleições validadas internacionalmente
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A América do Sul apresenta um cenário político que contraria a tendência global de vantagem competitiva para candidatos governistas em pleitos presidenciais. Em levantamento sobre eleições reconhecidas no continente, as forças situacionistas venceram apenas três dos últimos 20 processos eleitorais.
Desde 2018, a hegemonia do Partido Colorado no Paraguai é a única exceção a registrar vitórias consecutivas do governo, com as sucessões de Mario Abdo Benítez e, posteriormente, de Santiago Peña. O Equador também registrou uma vitória governista recente, com a reeleição de Daniel Noboa em 2025 para um mandato completo.
A dificuldade de manutenção do poder reflete-se em casos onde governos encerram seus ciclos com baixa popularidade ou sob impacto de escândalos, resultando na ausência de candidaturas oficiais. No Equador, isso ocorreu em 2021, quando Lenín Moreno não teve representante, e em 2023, quando Guillermo Lasso convocou eleições antecipadas sem apoiar candidatos. No Peru, a instabilidade política levou à escolha de presidentes via Congresso para mandatos-tampão, como ocorreu com Francisco Sagasti em 2021 e José María Balcázar em 2026, dificultando a existência de um candidato governista real.
As derrotas do governo não indicam necessariamente uma alternância ideológica fixa entre esquerda e direita. No Brasil, por exemplo, o governo de Michel Temer não venceu em 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro, que por sua vez perdeu a reeleição para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Na Colômbia, Iván Duque foi sucedido por Gustavo Petro em 2022, mas o apoio de Petro a Iván Cepeda em 2026 não foi suficiente para derrotar Abelardo de la Espriella.
Outras alternâncias marcantes incluem a Argentina, onde Mauricio Macri perdeu para Alberto Fernández em 2019, e o kirchnerismo, representado por Sergio Massa, foi derrotado por Javier Milei em 2023. No Uruguai, Tabaré Vázquez perdeu para Luis Lacalle Pou em 2019, enquanto em 2024, Yamandú Orsi venceu o candidato apoiado por Lacalle Pou, Álvaro Delgado.
No Chile, a sucessão de Sebastián Piñera por Gabriel Boric em 2021 foi revertida em 2025, quando José Antonio Kast retomou o Palácio de la Moneda após a derrota de Jeannette Jara. Na Bolívia, a transição de Jeanine Áñez para Luis Arce em 2020 encerrou um ciclo que terminou em 2025, com a vitória de Rodrigo Paz, pondo fim a 20 anos de hegemonia da esquerda no país. No Peru, a sucessão de 2021 levou Pedro Castillo ao poder, enquanto em 2026 Keiko Fujimori assumiu a faixa presidencial.
O levantamento considerou apenas nações independentes da América do Sul, excluindo a Venezuela por não possuir eleições validadas pela comunidade internacional.