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Cápsula Orion deve atingir 30.000 km/h durante a fase de reentrada da missão Artemis 2

08 de Abril de 2026 às 12:23

A cápsula Orion da missão Artemis 2 deve reentrar na atmosfera terrestre a mais de 30.000 km/h e 2.700°C. A nave utiliza um escudo térmico e sistemas autônomos para suportar o calor e o blackout de comunicações. O processo termina com a abertura de paraquedas e a recuperação da tripulação no oceano

A etapa de retorno à Terra representa o momento de maior criticidade da missão Artemis 2, concentrando em poucos minutos a aplicação de anos de cálculos e testes de engenharia. Após contornar a Lua, a cápsula Orion deve enfrentar a reentrada na atmosfera terrestre em velocidades superiores a 30.000 km/h, exigindo precisão absoluta no ângulo e no alinhamento para evitar falhas catastróficas.

O sucesso da operação depende da nave atravessar um corredor de reentrada extremamente estreito. Caso a inclinação seja excessiva, a estrutura será submetida a forças e temperaturas insustentáveis; por outro lado, uma entrada rasa demais pode fazer com que a cápsula "salte" da atmosfera e retorne ao espaço. Para mitigar esses riscos, a Orion utiliza sua própria geometria para distribuir as forças e posiciona sua base, onde está localizado o escudo térmico, para encarar o impacto inicial.

O calor extremo é gerado pela compressão violenta do ar à frente da nave, elevando a temperatura externa a mais de 2.700°C. Esse processo transforma o ar ao redor da cápsula em plasma, um gás superaquecido que gera o brilho característico da reentrada e provoca o blackout de comunicações. Durante esse período, os sinais de rádio são bloqueados, e a Orion passa a depender exclusivamente de seus sistemas de navegação autônoma e sensores de bordo para manter a trajetória programada.

A proteção da tripulação é garantida pelo processo de ablação do escudo térmico. O material foi projetado para se desgastar e consumir a camada externa de forma controlada, absorvendo a energia térmica e impedindo que o calor penetre na cabine.

Com a redução gradual da velocidade e o fim da fase de aquecimento, a nave inicia a sequência de desaceleração através da abertura de paraquedas. O processo ocorre em etapas: primeiro, modelos menores estabilizam a cápsula e controlam oscilações; posteriormente, os paraquedas principais reduzem a velocidade final para viabilizar o pouso seguro no oceano.

A missão é finalizada com a recuperação da cápsula no mar, onde navios, helicópteros e mergulhadores realizam a estabilização da nave e o resgate dos astronautas.

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