Chefe da AIEA afirma que fiscalização de instalações nucleares no Irã ocorrerá futuramente
Rafael Grossi, chefe da AIEA, afirmou que haverá fiscalização de instalações nucleares no Irã com base em acordo preliminar com os Estados Unidos. O governo iraniano negou a declaração e condicionou o acesso às plantas à assinatura de um acordo definitivo e ao fim de sanções. Donald Trump vinculou a manutenção da abertura do Estreito de Ormuz à aceitação dessas vistorias
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Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmou nesta quarta-feira (24), durante visita ao Japão, que a fiscalização de instalações nucleares no Irã ocorrerá futuramente. A declaração, a mais incisiva do órgão da ONU desde o término do conflito entre Estados Unidos e Irã, baseia-se no acordo de paz preliminar assinado entre as duas nações, que prevê explicitamente a supervisão da AIEA sobre as atividades e materiais nucleares iranianos.
O governo de Teerã rebateu a afirmação, classificando-a como falsa e acusando Grossi de vazar dados do programa atômico do país para Israel. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, condicionou o acesso às instalações atingidas pelos EUA à assinatura de um acordo de paz definitivo e à suspensão de sanções econômicas. Complementando a posição oficial, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, negou a realização de reuniões com a AIEA na Suíça e afirmou que não existe protocolo para inspeções em plantas danificadas pela guerra. Baghaei ressaltou que o Irã mantém suas obrigações com o Tratado de Não Proliferação Nuclear e que o programa de mísseis e as capacidades defensivas do país não são negociáveis.
O impasse ocorre enquanto EUA e Irã tentam resolver pendências em um prazo de 60 dias, conforme estabelecido no acordo preliminar da semana passada. Donald Trump, presidente dos EUA, e seu vice, J.D. Vance, sustentam que Teerã concordou com inspeções abrangentes de armamentos atômicos durante a primeira rodada de negociações na Suíça. Trump vinculou a decisão de manter o Estreito de Ormuz aberto, sem novos bloqueios navais, a essas concessões iranianas e ameaçou encerrar as tratativas de paz caso as vistorias não sejam aceitas.
A questão nuclear, que engloba a diluição de material radioativo e a fiscalização de usinas, permanece como o ponto mais crítico do pós-guerra. A AIEA enfrenta restrições de atuação no território iraniano desde 2021, quando os Estados Unidos se retiraram do acordo nuclear estabelecido na gestão Obama. Atualmente, as partes buscam alinhar cláusulas gerais antes de iniciar a negociação específica sobre a pauta nuclear, com o suporte de mediadores.