Chefe do Comando Sul dos Estados Unidos reúne-se com oficiais militares de Cuba em Guantánamo
O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, reuniu-se com oficiais militares de Cuba na Base Naval de Guantánamo nesta sexta-feira (29). O encontro tratou de segurança operacional e ocorreu após a visita do diretor da CIA a Havana
O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, reuniu-se nesta sexta-feira (29) com altos oficiais militares de Cuba no perímetro da Base Naval de Guantánamo. O encontro, focado em questões de segurança operacional, representa a primeira interação recente registrada entre a liderança do Comando Sul e autoridades militares da ilha.
A movimentação ocorre em um cenário de tensão crescente, com o governo cubano temendo a possibilidade de um ataque militar americano. O diálogo sucede a visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana, ocorrida no início de maio.
A relação entre as duas nações é marcada por adversidade desde a revolução de 1959. Atualmente, o presidente Donald Trump mantém Cuba como um dos alvos centrais de sua política externa para o segundo mandato, sinalizando que a ilha será prioridade após a resolução do conflito com o Irã. Esse posicionamento é respaldado por cubano-americanos conservadores da Flórida, que defendem a mudança do regime comunista.
Washington tem intensificado a pressão sobre Havana em diversas frentes. No campo jurídico, os EUA acusaram formalmente o ex-presidente Raúl Castro, em 20 de maio, por quatro homicídios ligados à derrubada de aeronaves de exilados cubanos de Miami em 1996. No âmbito diplomático e de segurança, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou Cuba como um risco à segurança nacional dos Estados Unidos. Em 5 de maio, Rubio e Donovan publicaram no X que as discussões bilaterais visam combater ameaças à estabilidade e à democracia no hemisfério.
A postura agressiva dos EUA na região também se manifestou em 3 de janeiro, com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e sua transferência para Nova York, onde responde a acusações de tráfico de drogas. Maduro, aliado de Cuba, nega as acusações.
No campo econômico, Trump ameaçou impor tarifas a países que forneçam combustível a Cuba, o que aprofundou a crise energética da ilha, resultando em apagões e retração econômica. Diante desse cenário, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou que qualquer intervenção militar resultaria em um "banho de sangue" com vítimas de ambos os lados. A instabilidade interna no país eleva, ainda, a probabilidade de novas crises migratórias.