China acelera construção de novo porta-aviões com propulsão nuclear no estaleiro de Dalian
A China constrói no estaleiro de Dalian o porta-aviões Tipo 004, que terá propulsão nuclear e dimensões superiores aos modelos anteriores. A previsão de entrada em operação é para 2032, integrando um plano de expandir a frota para nove unidades até 2035
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A China acelera a construção de seu novo porta-aviões, o Tipo 004, em um ritmo que evidencia a robustez de sua capacidade industrial marítima. Imagens de satélite de maio de 2026 revelam que a estrutura da proa e da popa já estão montadas no estaleiro de Dalian, onde os componentes pré-fabricados do casco começaram a surgir no início de 2025.
De acordo com avaliação do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a embarcação será maior que as três anteriores produzidas pelo país e deverá utilizar propulsão nuclear. Essa tecnologia elimina a dependência de combustíveis convencionais, ampliando a autonomia operacional e aproximando o navio chinês dos superporta-aviões americanos da classe Gerald R. Ford. Embora existam discussões sobre a inclusão de um terceiro elevador de aeronaves ou de quatro catapultas de lançamento, o CSIS indica que ainda não há evidências concretas para confirmar ou descartar tais características.
Apesar da velocidade da montagem, a entrada em operação do Tipo 004 deve levar anos, devido às etapas de equipagem e testes marítimos necessários antes do comissionamento na Marinha do Exército Popular de Libertação. Tomando como referência o porta-aviões Fujian, que levou seis anos entre o início da construção e a conclusão, a previsão é que o Tipo 004 esteja navegando em 2032.
Este projeto integra uma estratégia naval mais ampla. Um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, de dezembro de 2025, aponta que Pequim planeja incorporar mais seis porta-aviões até 2035, totalizando nove unidades. Para atingir essa meta, a China precisaria construir ao menos dois navios simultaneamente, possivelmente utilizando o estaleiro de Jiangnan — responsável pelo Fujian— como segunda linha de produção.
A expansão da frota exige, contudo, a produção proporcional de navios de apoio, como fragatas, destrutores, cruzadores, submarinos nucleares de ataque e embarcações de reabastecimento, essenciais para a composição de grupos de combate. Como comparação, o Gerald R. Ford custou 12,8 bilhões de dólares, com mais 4,7 bilhões investidos em pesquisa e desenvolvimento, e opera com um grupo de combate composto por até 90 aeronaves, três cruzadores, cinco destrutores, quatro fragatas e dois submarinos nucleares.
Paralelamente ao desenvolvimento do Tipo 004, a China aprimorou capacidades ofensivas com os mísseis balísticos antinavais DF-21D e DF-26B, desenvolvidos para destruir grupos navais e testados em réplicas do Gerald R. Ford. A combinação de propulsão nuclear com esse arsenal pode alterar o equilíbrio naval no Indo-Pacífico, criando um cenário para o qual Washington ainda não possui resposta definitiva.
Se a meta de nove porta-aviões for alcançada, a China reduzirá a diferença quantitativa e qualitativa em relação aos onze porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos, adquirindo a capacidade de projetar poder naval e aéreo para além da região do Indo-Pacífico.