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China conclui cinturão verde de 3 mil quilômetros para conter o deserto de Taklimakan

25 de Maio de 2026 às 06:14

A China concluiu, em 28 de novembro de 2024, a construção de um cinturão verde de 3.046 quilômetros ao redor do deserto de Taklimakan. A obra utiliza barreiras físicas, vegetação e tecnologia solar para conter o avanço de areias móveis em Xinjiang. O projeto integra o programa Three-North Shelterbelt

China conclui cinturão verde de 3 mil quilômetros para conter o deserto de Taklimakan
China cerca o deserto de Taklimakan com cinturão verde de 3.046 km para conter areia com plantas, palha, energia solar e engenharia. (Imagem: Ilustrativa)

A China finalizou a construção de um cinturão verde com 3.046 quilômetros de extensão ao redor do deserto de Taklimakan, em Xinjiang. A obra, concluída em 28 de novembro de 2024, visa conter o avanço de areias móveis sobre áreas habitadas, estradas, pastagens, lavouras e oásis. O projeto integra o programa Three-North Shelterbelt, iniciado em 1978 e com previsão de continuidade até 2050.

O Taklimakan é o maior deserto do país e um dos maiores do mundo em volume de areia móvel, cobrindo cerca de 337,6 mil km². Para enfrentar a dispersão de dunas que ameaçam a infraestrutura e a agricultura de Xinjiang, o governo chinês estabeleceu a periferia do deserto como uma faixa de contenção. A estratégia não busca eliminar a região árida, mas mitigar a movimentação da areia por meio de barreiras físicas, vegetação e infraestrutura hídrica.

A metodologia de fixação do solo inclui a técnica de "tabuleiro de xadrez", que utiliza grades de palha para dividir a areia em pequenos quadrados, reduzindo a velocidade do vento e estabilizando as dunas antes do plantio. Foram selecionadas espécies adaptadas a condições extremas de calor, salinidade e escassez de água, como o choupo-do-Eufrates, o salgueiro-vermelho e o saxaul.

A tecnologia solar desempenha papel central na manutenção do cinturão. Em Shaya, sistemas fotovoltaicos bombeiam água subterrânea salobra para alimentar a irrigação por gotejamento, convertendo 63 mil mu de deserto em áreas produtivas. Além disso, painéis solares são utilizados para criar sombra e reduzir a evaporação do solo, favorecendo o crescimento de gramíneas e arbustos.

O impacto econômico é destacado em regiões como Yutian, onde a recuperação da borda do deserto permitiu o cultivo de rosas para a indústria farmacêutica e de cosméticos, além da produção de cistanche, planta medicinal que gera mais de 10 mil empregos locais. De acordo com dados oficiais, as indústrias baseadas na areia ocupam 10,83 milhões de mu (aproximadamente 722 mil hectares), com valor de produção anual de 28,975 bilhões de yuans, abrangendo turismo ecológico, frutas e pistaches.

Outro exemplo de contenção é a rodovia do deserto de Tarim, a primeira do país, que possui uma faixa de proteção de 436 km com mais de 20 milhões de plantas resistentes à seca. Em Hotan, a iniciativa envolveu a comunidade local, com famílias organizadas em cooperativas para o plantio de tamareiras-do-deserto, beneficiando 1.278 famílias em uma área de 61,8 mil mu.

A magnitude da obra foi reconhecida pela Federação Mundial de Organizações de Engenharia, que incluiu o cinturão do Taklimakan entre as dez principais realizações globais de engenharia de 2025. Para monitorar a eficácia do sistema, a Academia Chinesa de Ciências realizou uma expedição de 16 dias ao longo de todo o perímetro para avaliar a sobrevivência das mudas e a adaptação das técnicas às variações de solo e vento.

Apesar dos avanços, a estratégia enfrenta questionamentos. Dados indicam que 26,8% do território chinês permanece desertificado, uma redução sutil comparada aos 27,2% de dez anos atrás. Críticas apontam para a baixa taxa de sobrevivência de algumas árvores e a eficácia limitada da barreira contra tempestades de areia que atingem regiões distantes, além de possíveis desequilíbrios ecológicos.

Sobre a viabilidade do modelo, Mohamed Elfleet, da Universidade Rei Abdulaziz, afirma que a experiência pode ser transferida para outras regiões, desde que ajustada às condições locais. Peter Gilruth, do World Agroforestry, ressalta que o combate à desertificação é um desafio sistêmico que impacta a comunidade global e vai além da proteção de oásis. O debate técnico agora se concentra na sustentabilidade de manter tais barreiras em escala continental sem comprometer a biodiversidade e os recursos hídricos de áreas vulneráveis.

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