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China conclui primeiro túnel ferroviário do mundo para trens de alta velocidade sob um rio

21 de Maio de 2026 às 09:11

A China concluiu, em 29 de março de 2026, a escavação do túnel ferroviário Chongming-Taicang, com 14,25 quilômetros de extensão. A obra conecta Xangai a Taicang e permitirá a circulação de trens de alta velocidade a 350 km/h sob o rio Yangtze

China conclui primeiro túnel ferroviário do mundo para trens de alta velocidade sob um rio
Chongming-Taicang — capa

A China finalizou, em 29 de março de 2026, a escavação do túnel ferroviário Chongming-Taicang, obra que marca a criação do primeiro corredor fluvial do mundo capaz de operar trens de alta velocidade a 350 km/h sem a necessidade de redução de velocidade sob o leito de um rio. O projeto, que integra a ferrovia Shanghai-Chongqing-Chengdu, conecta o distrito de Chongming, em Xangai, à cidade de Taicang, na província de Jiangsu.

A estrutura totaliza 14,25 quilômetros, dos quais 11,18 quilômetros foram escavados sob o rio Yangtze a uma profundidade de 89 metros. Para viabilizar a operação em alta velocidade, a engenharia adotou um traçado retilíneo com raio de curvatura amplo, neutralizando as forças laterais que normalmente obrigariam a desaceleração dos comboios. A fase mais crítica da construção foi encerrada em 8 de abril de 2026, com a chegada da tuneladora à margem sul em Taicang.

A execução do trecho subaquático levou 23 meses e foi realizada pela tuneladora Linghang, equipamento de 148 metros de comprimento e 4 mil toneladas, classificado pela American Society of Mechanical Engineers (ASME) como um dos maiores do mundo para túneis ferroviários. A máquina, desenvolvida pela China Railway Construction Heavy Industry, avançou 16,8 metros por dia, utilizando uma cabeça de corte com 480 discos de aço para fragmentar basalto, areia e argila.

Devido às condições geológicas da foz do Yangtze — caracterizada por sedimentos finos e bolsões de água sob pressão —, a operação exigiu a manutenção de uma pressão hidrostática de até 9,5 bares para evitar o colapso do solo. O resultado foi um alinhamento com precisão de 12 milímetros ao longo de todo o percurso. A estrutura interna consiste em tubos de concreto pré-fabricado com 15,4 metros de diâmetro, onde cada anel pesa 540 toneladas. A via permanente utiliza trilhos sem juntas, soldados a 1.500°C.

O investimento na ferrovia Shanghai-Chongqing-Chengdu é estimado em 530 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 74 bilhões). A obra consumiu 1,2 milhão de toneladas de aço estrutural, 4,8 milhões de metros cúbicos de concreto e 720 megawatts de energia elétrica. A supervisão técnica esteve a cargo de Wang Jianzhong, presidente da China Railway Construction Corporation (CRCC).

Este projeto faz parte de um planejamento estratégico do Conselho de Estado chinês para expandir a malha de alta velocidade de 47 mil quilômetros atuais para 60 mil quilômetros até 2030. O avanço tecnológico é visto pelo governo como um símbolo de modernização, com a previsão de iniciar os testes dinâmicos com os trens CR450 no segundo trimestre de 2027.

A escala da infraestrutura chinesa contrasta com outros projetos globais. Enquanto o túnel Seikan, no Japão, opera a 140 km/h e o corredor Hong Kong-Zhuhai-Macau limita-se a 100 km/h, o Chongming-Taicang estabelece um novo padrão de velocidade subaquática. O impacto dessa expansão reflete-se também no comércio global de commodities, beneficiando indiretamente fornecedores de minério de ferro, como o Brasil, devido à demanda massiva de insumos para a construção ferroviária.

Atualmente, a China negocia a exportação da tecnologia da tuneladora Linghang e dos trens CR450 para mercados na Indonésia, Cazaquistão e Argentina.

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