China constrói réplicas de navios dos Estados Unidos no deserto para testar mísseis antinavio
A China construiu réplicas de navios de guerra dos Estados Unidos no deserto de Taklamacan para testar o míssil balístico antinavio DF21D. As estruturas incluem um porta-aviões e um destroyer, com partes móveis e refletores de radar para simular manobras e assinaturas metálicas. Testes registraram impactos precisos em pontos vulneráveis das embarcações a distâncias de até 1.000 km
No deserto de Taklamacan, região noroeste da China, foram erguidas réplicas em escala real de navios de guerra dos Estados Unidos para a realização de testes militares. As estruturas, que surgiram a partir de 2020 e permanecem em expansão, incluem um porta-aviões da classe Gerald Ford com mais de 300 metros e um destroyer da classe Arleigh Burke, com aproximadamente 155 metros. O conjunto reproduz fielmente um grupo de batalha naval americano, com a torre de comando, a pista angular e os elevadores de aeronaves posicionados conforme os modelos originais.
As instalações foram montadas em um ambiente de isolamento extremo, caracterizado por temperaturas rigorosas e tempestades de areia, permanecendo visíveis para imagens de satélites comerciais. Para simular a assinatura de um navio de aço, foram instalados centenas de postes metálicos com mais de 20 metros de altura, que atuam como refletores de radar e sensores de impacto.
A infraestrutura conta ainda com cerca de 8 km de trilhos ferroviários com curvas acentuadas. Parte da réplica do porta-aviões é montada sobre uma plataforma móvel que atinge 55 km/h, permitindo a simulação de manobras de evasão e perseguição em movimento, mimetizando o comportamento de embarcações no oceano.
O objetivo central dessas operações é o aprimoramento do míssil balístico antinavio DF21D. Com 11 metros de comprimento e 15 toneladas, o armamento é lançado por caminhões a centenas de quilômetros da costa e possui alcance superior a 100 km. O diferencial tecnológico do DF21D reside em sua ogiva manobrável que, em velocidade hipersônica, ajusta a rota para atingir alvos em deslocamento.
Evidências de alta precisão foram registradas por meio de crateras em pontos vulneráveis das réplicas, como nos elevadores de aeronaves e na torre de comando. Tais marcas indicam a capacidade de atingir alvos de 300 metros a distâncias de até 1.000 km, reduzindo a eficácia operacional de porta-aviões americanos, que funcionam como bases flutuantes bilionárias.
Essa estratégia de dissuasão ocorre em um contexto de alta tensão no estreito de Taiwan e no mar do sul da China. Enquanto Pequim transformou recifes em bases militares com pistas e radares, os Estados Unidos mantêm a navegação nessas águas para assegurar o caráter internacional da região. A vulnerabilidade geográfica é evidenciada pela distância de apenas 160 km entre a costa chinesa e Taiwan, território que a China reivindica como província rebelde.
A demonstração de força foi exemplificada em 2022, quando a China disparou 11 mísseis balísticos ao redor de Taiwan, com quatro deles cruzando o espaço aéreo da ilha, após a visita de uma autoridade americana. A exposição deliberada dos testes no deserto serve como mensagem estratégica: a comprovação da eficácia da arma visa desencorajar a aproximação de frotas adversárias sem a necessidade de um confronto real.