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China constrói túnel ferroviário sob o rio Yangtze no ponto mais profundo do mundo

12 de Maio de 2026 às 09:15

China constrói túnel ferroviário de 14,25 km sob o rio Yangtze para ligar Xangai a Taicang com trens a 350 km/h. A obra utiliza a tuneladora Linghang, que opera a 89 metros de profundidade, com escavação bruta prevista para encerrar em 2026. A operação comercial deve ocorrer entre 2027 e 2028

China constrói túnel ferroviário sob o rio Yangtze no ponto mais profundo do mundo
Cabeçote da tuneladora Linghang em operação.

A engenharia chinesa avança na construção de um túnel ferroviário sob o rio Yangtze, utilizando a tuneladora Linghang, apelidada de “Voyager”. O projeto, que ligará Xangai a Taicang, no leste da China, opera atualmente a 89 metros de profundidade, marca que estabelece o ponto mais profundo de uma linha ferroviária já construída. Com a escavação bruta prevista para terminar até o fim de 2026, a obra visa viabilizar o tráfego de trens a 350 km/h em um trecho total de 14,25 km.

A Linghang detém três recordes mundiais para túneis de alta velocidade. A máquina possui o maior diâmetro de corte direto já operado em ferrovias de alta velocidade (HSR), com 15,4 metros. Além disso, sustenta a maior distância de escavação contínua por um único cabeçote, atingindo 11,3 km, enquanto outras máquinas do setor não superam os 5 km. A profundidade sob o leito do Yangtze completa a série de marcas globais.

Com 148 metros de comprimento e peso de 4.000 toneladas — massa equivalente a quase 700 ônibus urbanos —, a estrutura industrial exigiu um poço de lançamento com mais de 30 metros de profundidade. O equipamento conta com sistema de escavação inteligente e vedação de alta pressão hídrica, tecnologia necessária para suportar a carga de bilhões de toneladas de água do rio.

A complexidade do projeto é evidenciada pelo cruzamento de seis falhas geológicas ao longo do percurso. Para mitigar riscos de colapso, a obra utiliza anéis de concreto pré-fabricado com quase 15 metros de diâmetro, instalados em poucas horas logo atrás do cabeçote, garantindo a estrutura definitiva enquanto a escavação progride. A Linghang já superou a marca de 10.000 metros escavados sob o Yangtze.

A linha ferroviária integra Xangai a Chengdu, atravessando as províncias de Jiangsu, Anhui, Hubei e a cidade de Chongqing, abrangendo quatro fusos econômicos da China continental. O impacto logístico reduzirá o tempo de viagem entre Xangai e Chengdu de mais de 12 horas para cerca de 6,7 horas, permitindo deslocamentos de ida e volta no mesmo dia. No trecho Xangai-Chongqing, a viagem cairá para 5,3 horas, representando uma redução de 50% no tempo de transporte em uma das principais ligações leste-oeste do país, facilitando o fluxo de passageiros e cargas do polo costeiro para o interior.

O modelo de execução chinês, baseado em planejamento centralizado, contratos turn-key e padronização industrial, resultou em uma malha de alta velocidade superior a 50 mil km, o dobro da soma de todas as redes HSR do restante do mundo.

Esse cenário contrasta com a infraestrutura brasileira. A Ferrogrão, que ligaria Sinop (MT) a Itaituba (PA) em 933 km para escoamento de grãos, está sem ordem de início de obra desde 2009. Paralelamente, o projeto do trem-bala Rio-São Paulo permanece em discussão legislativa desde os anos 2000, aguardando a definição do modelo de financiamento.

A operação comercial da nova linha chinesa está estimada para o período entre 2027 e 2028, dependendo dos testes de comissionamento do trecho subaquático e da instalação dos sistemas elétricos e de via permanente após a conclusão da escavação bruta.

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