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China desenvolve estratégia militar para neutralizar grupos navais dos Estados Unidos a longa distância

16 de Junho de 2026 às 15:24

A China desenvolveu uma estratégia militar para neutralizar grupos navais dos Estados Unidos a até 3.000 quilômetros de seu território. O plano prevê ataques sequenciais com submarinos, mísseis hipersônicos, drones de isca e mísseis de cruzeiro. A operação utiliza arquiteturas de rede e inteligência artificial para coordenar os alvos e mitigar vulnerabilidades

China desenvolve estratégia militar para neutralizar grupos navais dos Estados Unidos a longa distância
EFE

A China desenvolveu uma estratégia militar detalhada para neutralizar grupos navais dos Estados Unidos mesmo quando posicionados a 3.000 quilômetros de distância do continente chinês, em áreas como Guam e Micronésia. O plano foi divulgado em 25 de maio pela revista *Tactical Missile Technology*, em um artigo elaborado pelo professor associado Gao Tianyun e sua equipe da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa de Nankín, instituição de elite do Exército Popular de Libertação (EPL).

A proposta chinesa surge como uma resposta direta ao conceito de Operações Marítimas Distribuídas (DMO) do Pentágono. A estratégia americana consiste em dispersar navios por centenas de quilômetros para evitar a concentração de alvos, utilizando destrutores Aegis com interceptores SM-3 em uma camada externa (entre 600 e 800 quilômetros à frente do porta-aviões), veículos não tripulados com mísseis SM-6 em um escudo intermediário e caças com aeronaves de alerta precoce protegendo o núcleo da frota.

Para romper esse sistema, o guia chinês propõe um ataque sequencial. A fase inicial envolve o uso de submarinos para disparar mísseis hipersônicos antibuque contra os destrutores Aegis. A escolha de submarinos visa a infiltração sem detecção, enquanto a alta velocidade e a manobrabilidade dos mísseis hipersônicos dificultam a interceptação, criando a abertura necessária para a ofensiva.

Na sequência, a estratégia prevê o lançamento de um "pacote de poder de fogo". Este conjunto combina drones de isca, destinados a saturar sensores e esgotar a munição interceptora, com mísseis de cruzeiro subsonicos furtivos que voam rente à superfície para evitar radares, além de mísseis hipersônicos focados em alvos de alto valor. O objetivo é forçar as defesas americanas a um dilema entre priorizar ameaças hipersônicas ou gastar recursos com as iscas.

O ataque seria coordenado por um sistema de "líder-seguidor", no qual um míssil ascende para atuar como explorador e retransmitir dados para os demais que voam abaixo do horizonte do radar. Caso o líder seja abatido, outro assume a função imediatamente. Esse enxame possui autonomia para reatribuir alvos e adaptar-se sem a necessidade de instruções constantes de um comando remoto, mantendo a operação mesmo sob interferências eletrônicas.

Apesar do planejamento, a viabilidade do ataque depende da manutenção de uma cadeia de sensores, comunicações e orientação de armas, que pode ser interrompida por contra-ataques cibernéticos ou de guerra eletrônica, conforme aponta o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) em relatório de 2024.

Para mitigar essa vulnerabilidade, a China aposta em "arquiteturas de rede de ataque" (*kill web*), que integram dinamicamente nós terrestres, marítimos, aéreos, espaciais e cibernéticos, evitando que a quebra de um único ponto inutilize todo o sistema. Complementarmente, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) indicou, em relatório de junho de 2026, que a inteligência artificial autônoma pode permitir que os sistemas naveguem sem GPS e identifiquem alvos independentemente, eliminando a dependência de sinais externos.

O cenário de vulnerabilidade dos porta-aviões americanos foi reforçado por uma declaração do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, no ano passado, ao afirmar que a China teria capacidade de destruir todas as embarcações desse tipo no mundo em um intervalo de 20 minutos.

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