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China e Rússia classificam novo escudo antimíssil dos Estados Unidos como ameaça à estabilidade global

20 de Maio de 2026 às 15:29

China e Rússia classificaram o escudo antimíssil Golden Dome, dos Estados Unidos, como ameaça à estabilidade global em comunicado emitido nesta quarta-feira (20). O projeto de 175 bilhões de dólares prevê quatro camadas de defesa e conclusão até 2029. Durante a reunião em Pequim, Vladimir Putin e Xi Jinping também assinaram 40 acordos bilaterais

China e Rússia classificam novo escudo antimíssil dos Estados Unidos como ameaça à estabilidade global
China e Rússia classificam o Domo de Ouro como ameaça à estabilidade estratégica. Escudo antimíssil de Trump é criticado após fim do Novo START. imagem: ilustrativa

China e Rússia emitiram um comunicado conjunto nesta quarta-feira (20) classificando o Golden Dome, novo escudo antimíssil dos Estados Unidos, como uma ameaça à estabilidade estratégica global. A declaração ocorreu após reunião em Pequim entre Vladimir Putin e Xi Jinping, ocasião em que os dois líderes assinaram 40 acordos bilaterais.

O projeto americano, orçado em 175 bilhões de dólares (cerca de R$ 1 trilhão), visa proteger o território dos EUA contra ataques de mísseis balísticos, de cruzeiro e hipersônicos. Com previsão de conclusão até 2029, o sistema é inspirado no Domo de Ferro de Israel, porém em escala superior. A estrutura de defesa prevê quatro camadas: uma orbital, composta por satélites para detecção e destruição de ameaças, e três terrestres, que integram radares, interceptadores e possíveis armas a laser. O Pentágono planeja instalar 11 baterias de curto alcance no Havaí, Alasca e território continental, além de uma base de interceptadores NGI no Centro-Oeste.

Para Pequim e Moscou, a capacidade do Golden Dome de neutralizar mísseis antes mesmo do lançamento rompe a lógica de destruição mútua assegurada, pilar da paz nuclear desde a Guerra Fria. O argumento é que, ao se tornarem invulneráveis a retaliações, os Estados Unidos poderiam realizar ataques preventivos para desarmar adversários sem enfrentar consequências. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que o projeto possui natureza ofensiva e viola o Tratado do Espaço Exterior, transformando a órbita terrestre em zona de guerra e estimulando uma corrida armamentista.

A tensão é agravada pelo fim do Novo START em 2026. O tratado, firmado em 2010, limitava os arsenais de Washington e Moscou a 1.550 ogivas cada e previa inspeções mútuas. Com a expiração do acordo e a ausência de um substituto, as duas potências não possuem pactos de controle de armas nucleares desde 1972. China e Rússia descreveram a postura americana como irresponsável, alegando que a combinação de um escudo defensivo com a falta de limites para arsenais ofensivos busca a supremacia nuclear unilateral.

Geograficamente, o projeto atribui importância vital à Groenlândia. O território dinamarquês é visto como ponto estratégico para a instalação de radares e interceptadores de fase de impulso, por estar na rota mais curta de mísseis balísticos vindos da Rússia. A região também integra a lacuna GIUK, corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, que ganhou relevância com a abertura de novas rotas de navegação devido ao degelo do Ártico. Além do valor militar, a ilha detém reservas de terras raras e minerais críticos para a indústria de defesa.

A crítica ao Domo de Ouro integra uma declaração mais ampla sobre a construção de um mundo multipolar. O alinhamento entre Rússia e China, que inclui avanços no gasoduto Força da Sibéria 2 e acordos de pagamento em rublos e yuans, reflete a criação de uma frente comum para contrabalançar o poder militar dos Estados Unidos, que rejeita as acusações e defende o caráter puramente defensivo do sistema.

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