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China inicia construção da maior usina hidrelétrica do mundo no Tibete

17 de Junho de 2026 às 06:10

A China iniciou em julho de 2025 a construção do complexo hidrelétrico de Motuo, no Tibete, com investimento de 145 bilhões de euros. A obra prevê uma barragem de 181 metros de altura e capacidade de gerar 300 terawatts anuais. O projeto utiliza túneis na montanha Namcha Barwa para desviar o fluxo do rio Yarlung Tsangpo

China inicia construção da maior usina hidrelétrica do mundo no Tibete
Tibet Travel

A China iniciou, em julho de 2025, a construção de um complexo hidrelétrico no Tibete que se projeta como a maior infraestrutura do gênero no mundo. Localizado na meseta tibetana, a cerca de 4.500 metros de altitude, o projeto de Motuo (ou Medog) visa aproveitar a queda natural do rio Yarlung Tsangpo, em seu trecho conhecido como o grande meandro, antes que as águas sigam para a Índia e Bangladesh sob o nome de Brahmaputra.

Com investimento estimado em 145 bilhões de euros, a obra prevê a instalação de uma barragem com 181 metros de altura e 2.335 metros de comprimento. A engenharia do projeto consiste em desviar a água por meio de túneis escavados na montanha Namcha Barwa, que atinge 7.800 metros de altura, para que o fluxo retorne ao leito em um ponto mais baixo. Essa configuração, que pode integrar múltiplas usinas e barragens dentro dos túneis, tem a capacidade de gerar até 300 terawatts anualmente — volume três vezes superior ao da usina de Três Gargantas.

Do ponto de vista estratégico, a obra visa acelerar a transição energética chinesa e reduzir a dependência do carvão, atuando como um substituto para usinas termelétricas. Contudo, a localização do projeto apresenta riscos geológicos severos, pois a região é marcada pela colisão das placas indiana e euroasiática. A instabilidade sísmica é evidenciada por eventos recentes, como o terremoto de magnitude 7,1 em Dingri, em janeiro de 2025, que danificou cinco barragens locais, além do sismo de 2015 no Nepal, que prejudicou a capacidade hidrelétrica daquela área. A escavação de túneis e a criação de reservatórios podem, ainda, desestabilizar o terreno.

A operação do sistema gera repercussões geopolíticas e ambientais nos países vizinhos. O controle do fluxo hídrico para garantir a estabilidade da geração elétrica altera os ciclos naturais do rio, preenchendo reservatórios na época das chuvas e liberando-os na seca, o que representa um risco para a região do Himalaia, especialmente para Índia, Bangladesh e Nepal.

Um dos pontos mais críticos é a retenção de sedimentos no grande meandro. Como o rio Brahmaputra é responsável por fertilizar terras agrícolas e sustentar o delta do Ganges-Brahmaputra — região habitada por cerca de 200 milhões de pessoas e vulnerável ao nível do mar —, qualquer redução no transporte desses materiais compromete a segurança alimentar e a estabilidade de um dos deltas mais povoados do planeta.

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