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China intensifica esforços diplomáticos para retomar a influência sobre a Coreia do Norte

08 de Junho de 2026 às 09:06

A China busca retomar a influência sobre a Coreia do Norte devido à aproximação militar entre Pyongyang e Moscou. Para isso, Xi Jinping promoveu a primeira cúpula formal com Kim Jong-un em seis anos e ampliou as exportações para US$ 2,3 bilhões

China intensifica esforços diplomáticos para retomar a influência sobre a Coreia do Norte
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A China intensifica esforços para retomar a influência sobre a Coreia do Norte, movida pela preocupação com a crescente proximidade militar entre Pyongyang e Moscou. O cenário de instabilidade é marcado por um equilíbrio estratégico onde Pequim busca preservar a estabilidade em sua fronteira e evitar que as ambições nucleares norte-coreanas provoquem crises que a arrastem para conflitos maiores.

A relação entre os dois países, historicamente descrita como um vínculo "selado em sangue" devido à atuação conjunta na Guerra da Coreia (1950-1953), sofreu um desgaste significativo nos últimos anos. Esse distanciamento ficou evidente em 2024, quando as celebrações do 75º aniversário das relações diplomáticas foram contidas e o embaixador chinês ausentou-se das comemorações da fundação da Coreia do Norte. Durante todo o ano, a ausência de encontros de alto nível contrastou com a rápida aproximação entre o regime de Kim Jong-un e o governo de Vladimir Putin.

A cooperação entre Rússia e Coreia do Norte escalou com a invasão da Ucrânia, resultando em um pacto de defesa mútua assinado em 2024. Dados indicam que aproximadamente 2.300 soldados norte-coreanos morreram combatendo ao lado das forças russas, enquanto Pyongyang é acusada de fornecer munições em troca de petróleo e assistência econômica. Para a China, que detém o único tratado formal de defesa com a Coreia do Norte, a possibilidade de a Rússia se tornar a principal força de influência sobre Kim Jong-un reduziria a capacidade de Pequim de pressionar o regime.

Essa dinâmica gera sentimentos contraditórios para o governo chinês. Se, por um lado, a parceria Rússia-Coreia do Norte dificulta a estratégia dos Estados Unidos na região, por outro, a cooperação militar pode provocar uma resposta mais rígida de Washington, Tóquio e Seul. Por esse motivo, a China evita apoiar abertamente o programa nuclear norte-coreano para não justificar a ampliação da presença militar americana em seu entorno. No entanto, Pequim evita confrontos diretos sobre o tema; em 2022, inclusive, vetou junto com a Rússia uma resolução da ONU que previa novas sanções contra os testes de mísseis de Pyongyang, temendo que uma postura rigorosa empurrasse Kim Jong-un definitivamente para a órbita de Putin.

Para tentar reverter esse quadro, Xi Jinping iniciou um processo de reconstrução diplomática. No final do ano passado, promoveu a primeira cúpula formal com Kim Jong-un em seis anos, convidando-o para um desfile militar em Pequim ao lado de Vladimir Putin. Na ocasião, Xi enfatizou a coordenação estratégica e a amizade entre as nações, omitindo qualquer menção ao arsenal nuclear.

Do lado econômico, a China reafirma sua posição como principal parceiro da Coreia do Norte. As exportações chinesas para o país atingiram US$ 2,3 bilhões no ano passado, o maior volume em seis anos, e o serviço ferroviário de passageiros entre Pequim e Pyongyang foi retomado recentemente após seis anos de interrupção. Para Kim Jong-un, manter esse vínculo é uma escolha pragmática, já que a dependência de um governo russo isolado internacionalmente seria arriscada caso a guerra na Ucrânia termine e a demanda russa por apoio diminua.

O histórico recente entre os líderes é de tensão. Kim Jong-un acelerou o programa nuclear de forma muito mais agressiva que seus antecessores, realizando cerca de 90 testes de mísseis e quatro explosões nucleares em seus primeiros seis anos de poder. A execução de Jang Song Thaek, visto por Pequim como um moderador, aprofundou a crise, levando Xi Jinping a visitar a Coreia do Sul em 2014 antes de se encontrar com Kim, gesto que foi interpretado como uma afronta e levou a imprensa estatal norte-coreana a chamar a China de "traidora".

A reaproximação começou a ganhar corpo em 2018, quando as sanções econômicas forçaram Kim a viajar a Pequim. Desde então, as negociações do líder norte-coreano com os Estados Unidos e a Coreia do Sul passaram a ocorrer sob consulta prévia à China. Atualmente, a relação permanece pautada por uma desconfiança mútua, mas sustentada pela necessidade estratégica: a Coreia do Norte serve como um escudo que mantém as forças americanas distantes da fronteira chinesa, enquanto Kim busca a proteção de Pequim sem aceitar submissão política.

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