Mundo

China posiciona mais de 100 embarcações em águas que cercam a ilha de Taiwan

23 de Maio de 2026 às 18:03

A China posicionou mais de 100 embarcações militares e de pesquisa em águas que cercam Taiwan. A movimentação ocorre enquanto os Estados Unidos congelam a venda de 14 bilhões de dólares em armamentos para a ilha. O parlamento taiwanês reduziu para 25 bilhões de dólares a proposta de gastos adicionais em defesa

China posiciona mais de 100 embarcações em águas que cercam a ilha de Taiwan
Reprodução/TV Globo

A China posicionou mais de 100 embarcações, incluindo navios da marinha, da guarda costeira e de pesquisa, em águas que abrangem do Mar Amarelo ao Mar do Sul da China e ao Pacífico Ocidental. O movimento, confirmado neste sábado (23/05) pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, estabelece um cerco em torno da ilha, que Pequim reivindica como parte de seu território e ameaça retomar por meio da força.

O deslocamento naval teve início antes do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, e a frota foi ampliada após o término da cúpula. Embora a finalidade exata da operação não tenha sido detalhada, a Marinha e a guarda costeira chinesas já utilizaram a região para treinamentos anteriores, inseridos em um contexto de pressão militar crescente, com a presença quase diária de caças e navios de guerra e a realização de exercícios de larga escala.

A instabilidade militar coincide com incertezas sobre o fornecimento de armamentos dos Estados Unidos. O governo americano congelou a venda de 14 bilhões de dólares (R$ 70 bilhões) em armas a Taiwan para priorizar o estoque de munições destinado à guerra no Irã. A decisão ocorreu após Xi Jinping alertar Trump que a questão de Taiwan é o ponto central nas relações bilaterais e que a falta de um tratamento adequado do tema poderia levar a confrontos entre as duas potências. Anteriormente, Trump já havia sugerido que as vendas de armas para a ilha poderiam servir como moeda de troca em negociações com a China.

Apesar de Taiwan depender do apoio americano para dissuadir ataques, o governo local afirma que o compromisso de defesa dos Estados Unidos permanece inalterado e que as vendas de armamentos seguem confirmadas. Internamente, a pressão dos EUA levou o presidente Lai Ching-te a propor gastos adicionais de quase 40 bilhões de dólares em armamentos críticos. No entanto, o parlamento, dominado pela oposição, reduziu esse montante para 25 bilhões de dólares, o que motivou manifestações populares neste sábado em apoio ao plano original de aumento dos investimentos em defesa.

O cenário de tensão também impacta a relação entre China e Japão. Desde novembro do ano passado, após a primeira-ministra Sanae Takaichi declarar que um ataque chinês a Taiwan representaria uma ameaça à sobrevivência do Japão e justificaria a intervenção de seu exército, Pequim reagiu aconselhando seus cidadãos a evitarem viagens ao arquipélago japonês.

Notícias Relacionadas