China prioriza interesses econômicos e geopolíticos em relação ao apoio material a Cuba
A China forneceu a Cuba quase 60 mil toneladas de arroz e US$ 80 milhões para equipamentos elétricos, com foco em energias renováveis. O apoio chinês segue critérios de mercado e evita ações que prejudiquem a relação comercial com os Estados Unidos. Entre 2017 e 2022, as importações chinesas de produtos cubanos caíram quase US$ 600 milhões
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A China tem adotado uma postura de cautela estratégica no apoio a Cuba, equilibrando a solidariedade ideológica com a realidade de seus interesses econômicos e geopolíticos. Embora Pequim mantenha a retórica de proximidade e utilize a ilha como uma ponte para a América Latina, a assistência concreta tem se mostrado limitada diante da grave crise enfrentada pela nação caribenha.
No campo material, o suporte chinês concentrou-se em doações pontuais e infraestrutura energética. Recentemente, a China enviou quase 60 mil toneladas de arroz e US$ 80 milhões destinados a equipamentos elétricos. O foco principal tem sido a transição para energias renováveis, com a instalação de parques fotovoltaicos para reduzir a dependência de Cuba do petróleo. Esse movimento resultou em um crescimento superior a 1.800% nas importações de baterias e painéis solares chineses entre 2020 e 2025.
Apesar desses gestos, a abordagem de Pequim é pautada pelo pragmatismo. Diferente da antiga União Soviética, a China não pretende assumir o papel de financiadora irrestrita, operando sob critérios de mercado. Economicamente, Cuba não é um parceiro prioritário na região, ficando atrás de países como Brasil, Argentina e Chile. Esse cenário é evidenciado pela queda de quase US$ 600 milhões nas importações chinesas de produtos cubanos, como zinco e níquel, entre 2017 e 2022, embora Havana reporte nova alta nas trocas comerciais entre 2024 e 2025.
A geopolítica global e a relação com os Estados Unidos impõem limites adicionais ao apoio chinês. Pequim condena publicamente o embargo econômico e as sanções americanas, além de criticar o uso do sistema judicial dos EUA contra figuras como Raúl Castro. No entanto, a China evita ações que possam deteriorar seu vínculo com Washington, especialmente sob a "Doutrina Monroe" de Donald Trump, que visa conter influências estrangeiras no hemisfério ocidental. Para a China, os EUA representam um parceiro comercial significativamente mais relevante do que a economia cubana.
Outro fator determinante é a questão de Taiwan. A complexidade dessa disputa territorial impede que Pequim pressione excessivamente os EUA em relação a Cuba, sob o risco de sofrer retaliações ou interferências semelhantes em seu próprio território.
Nesse contexto, a estratégia de Xi Jinping prioriza a disputa hegemônica global e alianças estratégicas de maior peso, como a relação com a Rússia, em detrimento de afinidades ideológicas. A tendência é que o apoio da China a Cuba permaneça discreto e majoritariamente moral, evitando que o capital chinês seja direcionado a regiões consideradas problemáticas ou economicamente pouco lucrativas.