China realiza voo inaugural de drone furtivo com velocidade de 925 quilômetros por hora
A Academia Chinesa de Aerodinâmica Aeroespacial testou o primeiro voo do drone furtivo CH-7. A aeronave de asa voadora alcançou 925 km/h com operação autônoma de decolagem, voo e pouso. O sistema visa o reconhecimento estratégico e a vigilância de navios militares
A China realizou o voo inaugural do CH-7, um drone furtivo com design de asa voadora, em um aeródromo no noroeste do país. A aeronave, desenvolvida pela Academia Chinesa de Aerodinâmica Aeroespacial, demonstrou capacidade de decolagem, voo e pouso totalmente autônomos, atingindo uma velocidade máxima de 925 quilômetros por hora. O teste validou os sistemas de rastreamento, comunicações e controle do veículo.
O sucesso da operação é tecnicamente relevante porque aeronaves sem fuselagem e cauda são inerentemente instáveis, dependendo exclusivamente de computadores de bordo para a sustentação. Li Jianhua, líder do projeto, confirmou que o comportamento da aeronave durante o voo correspondeu aos modelos computacionais previstos. A partir desta etapa, a engenharia chinesa expandirá o envelope de voo, testando altitudes variadas, manobras complexas e velocidades mais altas para definir os limites operacionais do equipamento.
A baixa observabilidade do CH-7 é resultado de um conjunto de técnicas de furtividade. O formato de asa voadora suaviza o contorno da aeronave e elimina a cauda, reduzindo a energia refletida para os radares. Complementando o design, a China aplicou revestimentos furtivos em portas do trem de pouso, painéis de acesso e bordas de ataque das asas, além de instalar estruturas internas que absorvem ondas de radar, dificultando a distinção do drone em relação ao ruído de fundo dos sistemas de detecção.
Diferente de aeronaves de combate, o CH-7 não foi projetado para atuar em formação cerrada com caças. Sua função é o reconhecimento estratégico de longo alcance, com foco na vigilância de campos de batalha e monitoramento de embarcações militares em regiões como o Pacífico Ocidental e o Mar do Sul da China. O drone utiliza câmeras infravermelhas e eletro-ópticas para identificar alvos por assinatura térmica e luz visível, transmitindo as informações em tempo real para centros de comando.
O desenvolvimento do CH-7 coloca a China em um patamar tecnológico similar ao de programas ocidentais, como o RQ-180, associado à Northrop Grumman nos Estados Unidos. Enquanto o projeto americano é mantido sob sigilo — com dados limitados a investigações da Aviation Week de 2013 —, Pequim optou por divulgar abertamente as especificações e imagens do protótipo. Essa estratégia visa sinalizar o domínio de tecnologias de propulsão a jato e controle autônomo, indicando a redução da lacuna tecnológica entre a China e seus rivais estratégicos.
A próxima fase de testes, coordenada pela Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, verificará o desempenho das cargas úteis em condições complexas, o que inclui a operação sob interferência eletrônica e climas adversos. O objetivo é validar a eficácia da furtividade em cenários que simulem defesas aéreas reais, combinando monitoramento infravermelho e radares modernos, para transformar o protótipo em uma plataforma operacional confiável.