China retém 272 navios de bandeira panamenha em resposta à perda de terminais portuários estratégicos
A China reteve 272 navios de bandeira panamenha em seus portos desde o início do ano, com pico de 136 embarcações em abril. A medida ocorre após a Suprema Corte do Panamá anular a concessão dos portos de Balboa e Cristóbal, operados pela subsidiária chinesa CK Hutchison Holdings. Pequim também suspendeu serviços de contêineres da COSCO em Balboa e paralisou novos investimentos no país
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A China intensificou a retenção de embarcações com bandeira panamenha em seus portos, totalizando 272 navios imobilizados desde o início do ano. O movimento, que atingiu o pico em abril com 136 navios — 6,4 vezes a média de 2025 —, é interpretado como uma resposta de Pequim à perda de controle de terminais estratégicos no Canal do Panamá, hidrovia essencial para 6% do comércio global.
A crise escalou após a Suprema Corte do Panamá declarar inconstitucional a concessão dos portos de Balboa e Cristóbal, situados nas entradas do Pacífico e do Atlântico, que eram operados pela Panama Ports Company, subsidiária da chinesa CK Hutchison Holdings. A empresa, que administrou os terminais por quase três décadas, acusa o governo panamenho de confisco ilegal e moveu uma arbitragem internacional pleiteando indenização superior a US$ 2 bilhões.
Pequim classifica a decisão judicial como um "ato de má-fé" e argumenta que a medida foi motivada por pressões dos Estados Unidos. O governo americano, especialmente sob a gestão de Donald Trump, priorizou a retirada da influência chinesa nessas áreas estratégicas, chegando a ameaçar retomar o controle do canal, administrado pelo Panamá desde 1999. Embora o presidente José Raúl Mulino negue qualquer interferência chinesa na operação da hidrovia, empresas da China mantêm investimentos significativos na região.
Além da retenção de navios, a ofensiva chinesa inclui a suspensão de serviços de contêineres da COSCO em Balboa, a paralisação de novos investimentos no Panamá e a convocação de executivos da MSC e Maersk para reuniões em Pequim. Especialistas apontam que essas ações funcionam como uma pressão econômica assimétrica para gerar custos e atrasos ao comércio marítimo, utilizando mecanismos indiretos em vez de sanções formais.
Outro fator que pode ter desagradado o governo chinês foi a decisão da CK Hutchison Holdings, em março de 2025, de vender a maior parte de seus negócios portuários globais, incluindo as unidades panamenhas, para um consórcio liderado pela BlackRock e MSC por cerca de US$ 20 bilhões.
As represálias impactam também os Estados Unidos, já que grande parte da carga conteinerizada americana é transportada por navios de bandeira panamenha. A Comissão Marítima Federal dos EUA alertou que a situação pode trazer consequências comerciais e estratégicas.
Embora o Panamá utilize um sistema de registro aberto que atrai armadores estrangeiros por simplificar a burocracia e reduzir custos de mão de obra, a China começou a exigir que empresas de leasing marítimo transfiram os registros de novos navios para outros países como condição para financiamento, o que pode comprometer a longo prazo a frota registrada no país centro-americano.