China revela caça furtivo de sexta geração com previsão de operação para o início da década de 2030
A Chengdu Aircraft Corporation desenvolveu o J-36, caça furtivo de sexta geração que realizou manobras verticais em dezembro de 2024. A aeronave deve entrar em serviço no início da década de 2030
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A China demonstrou avanços significativos na engenharia aeronáutica militar com a revelação de imagens do J-36, um caça furtivo de sexta geração desenvolvido pela Chengdu Aircraft Corporation. A aeronave, a mais pesada entre os três protótipos sem cauda atualmente em desenvolvimento no país, realizou manobras verticais extremas em voo, marco alcançado em dezembro de 2024.
A ausência de estabilizadores horizontais traseiros é uma escolha estratégica para reduzir a seção transversal de radar, dificultando a detecção da aeronave ao evitar que as ondas reflitam em ângulos retos. Para solucionar a instabilidade e a dificuldade de manobra em baixas velocidades inerentes a esse design, Pequim integrou superfícies de controle nas asas e implementou um software de controle de voo de última geração.
A expectativa é que esses caças entrem em serviço ativo no início da década de 2030. Esse cronograma coloca a China à frente dos Estados Unidos, cujo modelo F-47 (NGAD), entregue à Boeing, tem previsão de entrada em operação apenas para o início da década de 2040. Já a versão naval americana, o F/A-XX, deve demorar quase dez anos a mais que o F-47 para chegar ao serviço.
Essa aceleração produtiva baseia-se em uma doutrina industrial que prioriza a fabricação rápida de veículos funcionais e a realização de testes reais em vez de longos períodos de aperfeiçoamento teórico em laboratórios. Conforme detalhado por Yang Shuifeng, engenheiro sênior do Instituto de Design de Aeronaves de Chengdu (CADI), em estudo publicado na revista de Engenharia de Sistemas e Eletrônica, o foco é a entrega imediata de capacidade de combate, permitindo que hardware e software sejam atualizados iterativamente com base no feedback dos pilotos.
Enquanto o Pentágono lida com entraves burocráticos e estouros orçamentários, a China mantém a cadeia de suprimentos, de microchips a materiais básicos, em prontidão. O modelo de gestão chinês também exige que engenheiros ajustem projetos para compensar eventuais déficits orçamentários, evitando desperdícios de recursos estatais.
A estratégia chinesa também critica a gestão administrativa dos rivais, citando como exemplo a decisão da administração Trump de atribuir o programa F-47 à Boeing, empresa que não possui histórico de projeto de caças furtivos em serviço ativo. Para o CADI, a capacidade de pesquisa e desenvolvimento não pode ser iniciada do zero.
O objetivo de Pequim ao aplicar a velocidade de desenvolvimento como arma é romper a ordem mundial vigente. Segundo Yang Shuifeng, o domínio desses tempos de produção visa entregar capacidade de combate com rapidez, o que poderia permitir ao país conquistar a vitória sem a necessidade de entrar em conflito armado.