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China substitui vilas rurais por complexos de alta segurança para expandir infraestrutura nuclear em Sichuan

10 de Abril de 2026 às 09:18

A China expande infraestruturas nucleares na província de Sichuan, substituindo vilas por complexos de alta segurança. Imagens de satélite mostram a construção de instalações com blindagem e monitores de radiação, além de reformas logísticas e demolições na Science City. As obras visam o desenvolvimento de armamentos e a modernização tecnológica do programa nuclear

China substitui vilas rurais por complexos de alta segurança para expandir infraestrutura nuclear em Sichuan
Airbus

A China expande sistematicamente sua infraestrutura nuclear na província de Sichuan, substituindo vilas rurais por complexos industriais de alta segurança. A operação, que se intensificou a partir de 2021, envolveu a desapropriação de moradores de localidades como Baitu e Dashan sob a justificativa de "segredos de Estado", ocultando a construção de instalações ligadas ao desenvolvimento de armamentos.

Imagens de satélite analisadas pela CNN revelam a transformação dessas áreas residenciais em centros de alta tecnologia. Entre as estruturas identificadas, destaca-se um domo reforçado às margens do rio Tongjiang, erguido em menos de cinco anos. Com dimensões equivalentes a 13 quadras de tênis, a instalação possui portas blindadas, sistemas de ventilação avançados e monitores de radiação, características técnicas indicativas do armazenamento de plutônio ou urânio.

A expansão não ocorre de forma isolada, mas integrada a uma rede logística de estradas renovadas que conectam o complexo a outros centros nucleares da região. Esse movimento de modernização também atinge a Science City, núcleo científico do programa nuclear chinês, onde centenas de estruturas foram demolidas para dar lugar a novos edifícios.

A evolução do programa chinês reflete um foco na capacidade de produção e na modernização tecnológica, tornando a contagem numérica de ogivas um indicador insuficiente para medir o real alcance do arsenal do país. A opacidade do governo e a escala das obras geram instabilidade no cenário internacional, pois a interpretação dessas movimentações por outras potências pode estimular decisões estratégicas baseadas em estimativas, elevando a tensão global e a competição nuclear.

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