Mundo

China supera Estados Unidos na expansão de infraestrutura energética para sustentar a inteligência artificial

22 de Maio de 2026 às 06:20

A disputa entre China e Estados Unidos pela liderança em inteligência artificial agora foca na infraestrutura energética. A China domina a produção de baterias e energia solar, prevendo adicionar 3,4 terawatts de capacidade nos próximos cinco anos. Já os Estados Unidos enfrentam escassez de eletricidade para data centers, cuja demanda deve triplicar até 2035

China supera Estados Unidos na expansão de infraestrutura energética para sustentar a inteligência artificial
Inteligência artificial pressiona data centers; China aposta em eletricidade e energia renovável na disputa com os EUA.

A disputa global pela liderança em inteligência artificial (IA) entre Estados Unidos e China, tradicionalmente centrada na corrida por semicondutores avançados, ganhou um novo e decisivo eixo: a infraestrutura energética. Embora o controle de chips seja essencial para treinar modelos e operar sistemas, a capacidade de alimentar data centers em escala gigantesca tornou-se um fator estratégico que pode definir o vencedor da corrida tecnológica.

A China tem avançado com a implementação de geração elétrica e redes de transmissão em proporções históricas. O país domina a cadeia produtiva global, respondendo por cerca de 80% da produção de baterias e tecnologia solar, além de mais de 70% da energia eólica. Esse domínio industrial reflete-se em números expressivos: desde 2021, Pequim adicionou mais capacidade de geração elétrica do que os Estados Unidos construíram em toda a sua história. Para os próximos cinco anos, o planejamento chinês prevê a adição de mais de 3,4 terawatts de capacidade, volume quase seis vezes superior ao projetado pelos americanos para o mesmo período.

Enquanto a China expande massivamente fontes renováveis — superando a soma de capacidades da Europa, Reino Unido e EUA —, os Estados Unidos enfrentam um cenário paradoxal. Apesar de serem independentes energeticamente e possuírem alta produção, o país sofre com a falta de eletricidade disponível para novos data centers. A demanda elétrica dessas estruturas deve triplicar até 2035, pressionando redes que já operam sob tensão e elevando custos operacionais.

Essa disparidade sugere que Washington pode ter focado excessivamente na proteção da vantagem em chips, negligenciando a base física necessária para sustentar a IA. A infraestrutura de nuvem, embora invisível ao usuário, exige terrenos, refrigeração e conexão de alta capacidade. Sem energia estável e barata, a liderança em software e modelos de IA pode ser freada por gargalos na rede elétrica.

Além do aspecto tecnológico, a aposta chinesa em energia limpa possui um forte componente econômico. Com um investimento de aproximadamente US$ 1 trilhão no último ano, Pequim visa liderar um mercado global de energia limpa que pode atingir US$ 7 trilhões até 2035. Esse movimento já impulsiona as exportações do país, com alta de 80% em veículos elétricos em 2025, 40% em baterias e 20% em painéis solares.

A expansão chinesa, observada inclusive em províncias distantes dos centros econômicos, é fruto de um planejamento de longo prazo que integra inovação e manufatura. Para recuperar terreno, os Estados Unidos precisariam de uma estratégia industrial clara e investimentos focados em horizontes de 2030 e 2040, visto que usinas e linhas de transmissão demandam anos de licenciamento e execução.

Paralelamente à rivalidade, surge a necessidade de coordenação mínima entre as potências para garantir a segurança da IA e prevenir acidentes tecnológicos. O desafio atual reside em equilibrar a competição rigorosa por infraestrutura e mercado com a cooperação necessária para evitar que a instabilidade tecnológica comprometa a prosperidade global.

Notícias Relacionadas