China supera Estados Unidos na expansão de infraestrutura energética para sustentar a inteligência artificial
A disputa entre China e Estados Unidos pela liderança em inteligência artificial agora foca na infraestrutura energética. A China domina a produção de baterias e energia solar, prevendo adicionar 3,4 terawatts de capacidade nos próximos cinco anos. Já os Estados Unidos enfrentam escassez de eletricidade para data centers, cuja demanda deve triplicar até 2035

A disputa global pela liderança em inteligência artificial (IA) entre Estados Unidos e China, tradicionalmente centrada na corrida por semicondutores avançados, ganhou um novo e decisivo eixo: a infraestrutura energética. Embora o controle de chips seja essencial para treinar modelos e operar sistemas, a capacidade de alimentar data centers em escala gigantesca tornou-se um fator estratégico que pode definir o vencedor da corrida tecnológica.
A China tem avançado com a implementação de geração elétrica e redes de transmissão em proporções históricas. O país domina a cadeia produtiva global, respondendo por cerca de 80% da produção de baterias e tecnologia solar, além de mais de 70% da energia eólica. Esse domínio industrial reflete-se em números expressivos: desde 2021, Pequim adicionou mais capacidade de geração elétrica do que os Estados Unidos construíram em toda a sua história. Para os próximos cinco anos, o planejamento chinês prevê a adição de mais de 3,4 terawatts de capacidade, volume quase seis vezes superior ao projetado pelos americanos para o mesmo período.
Enquanto a China expande massivamente fontes renováveis — superando a soma de capacidades da Europa, Reino Unido e EUA —, os Estados Unidos enfrentam um cenário paradoxal. Apesar de serem independentes energeticamente e possuírem alta produção, o país sofre com a falta de eletricidade disponível para novos data centers. A demanda elétrica dessas estruturas deve triplicar até 2035, pressionando redes que já operam sob tensão e elevando custos operacionais.
Essa disparidade sugere que Washington pode ter focado excessivamente na proteção da vantagem em chips, negligenciando a base física necessária para sustentar a IA. A infraestrutura de nuvem, embora invisível ao usuário, exige terrenos, refrigeração e conexão de alta capacidade. Sem energia estável e barata, a liderança em software e modelos de IA pode ser freada por gargalos na rede elétrica.
Além do aspecto tecnológico, a aposta chinesa em energia limpa possui um forte componente econômico. Com um investimento de aproximadamente US$ 1 trilhão no último ano, Pequim visa liderar um mercado global de energia limpa que pode atingir US$ 7 trilhões até 2035. Esse movimento já impulsiona as exportações do país, com alta de 80% em veículos elétricos em 2025, 40% em baterias e 20% em painéis solares.
A expansão chinesa, observada inclusive em províncias distantes dos centros econômicos, é fruto de um planejamento de longo prazo que integra inovação e manufatura. Para recuperar terreno, os Estados Unidos precisariam de uma estratégia industrial clara e investimentos focados em horizontes de 2030 e 2040, visto que usinas e linhas de transmissão demandam anos de licenciamento e execução.
Paralelamente à rivalidade, surge a necessidade de coordenação mínima entre as potências para garantir a segurança da IA e prevenir acidentes tecnológicos. O desafio atual reside em equilibrar a competição rigorosa por infraestrutura e mercado com a cooperação necessária para evitar que a instabilidade tecnológica comprometa a prosperidade global.