China testa sistema que permite a um único soldado coordenar mais de 200 drones
A China testou enxames de drones de asa fixa coordenados por um único operador, utilizando algoritmos de inteligência artificial para missões de ataque e reconhecimento. O sistema Swarm II atinge 100 km/h, possui autonomia superior a uma hora e opera sob interferência de sinais

A China demonstrou recentemente a capacidade de operar enxames de drones de asa fixa, nos quais um único soldado consegue coordenar mais de 200 aeronaves simultaneamente. O teste, conduzido pela Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa e vinculado ao Exército de Libertação Popular, utilizou algoritmos de inteligência artificial para que as unidades dividissem tarefas, organizassem formações e mantivessem a operação mesmo sob interferência nas comunicações.
Diferente dos modelos tradicionais que exigem um piloto por aeronave, o sistema baseia-se na coordenação coletiva e na comunicação entre as unidades para ajustar movimentos. O operador humano define apenas comandos gerais, enquanto a rede de drones assume a gestão de rotas, a distância entre as máquinas e a troca de informações. Essa arquitetura de robótica de enxames, inspirada em comportamentos de bandos de aves e cardumes, visa reduzir a complexidade do controle centralizado e a dependência de uma única estação de comando, permitindo que o grupo se reorganize autonomamente caso ocorra perda de contato.
A tecnologia foi apresentada por meio do Swarm I, um Sistema de Arma de Enxame de Alta Mobilidade. O veículo terrestre é capaz de lançar 48 drones de asa fixa de uma vez, podendo chegar a mais de 200 aeronaves em operação ao combinar lançamentos de múltiplos veículos. Uma versão posterior, o Swarm II, apresentada em 2024, possui autonomia superior a uma hora, velocidade máxima de 100 km/h e versatilidade para transportar munições, sensores de reconhecimento ou dispositivos de retransmissão.
De acordo com a emissora estatal CCTV, as aeronaves podem ser empregadas em ataques e missões de reconhecimento de múltiplos alvos. Um ponto central do desenvolvimento é a resistência à guerra eletrônica: os algoritmos permitem que os drones continuem executando tarefas mesmo em ambientes com bloqueio de sinal, mitigando o impacto de interferências eletromagnéticas que normalmente interromperiam a navegação e o controle.
Embora a multiplicação de alvos menores pressione as defesas adversárias, o sistema ainda enfrenta limitações técnicas relacionadas a condições climáticas, precisão de navegação, alcance de sensores e autonomia de energia.
Essa tendência de automação e escala é observada globalmente. No conflito entre Rússia e Ucrânia, drones FPV tornaram-se essenciais; estimativas ucranianas indicam que, em 2024, essas máquinas foram responsáveis por 69% dos ataques a tropas russas e 75% dos ataques a equipamentos e veículos. Em resposta, os Estados Unidos integraram a impressão 3D para fabricar e reparar drones em campo, com a 25ª Divisão de Infantaria realizando experimentos dessa natureza em exercícios no Indo-Pacífico em 2025.
Para contrapor o lançamento massivo de drones sem depender de mísseis dispendiosos, países testam defesas em camadas, incluindo sensores integrados, bloqueadores eletrônicos e armas de micro-ondas ou laser. O Reino Unido, por exemplo, planeja instalar o sistema laser DragonFire em um destróier Type 45 da Marinha Real até 2027. O equipamento, que demonstrou precisão para atingir alvos do tamanho de uma moeda a um quilômetro de distância, teria um custo estimado de 10 libras por disparo.
Paralelamente ao desenvolvimento terrestre, a China expande a projeção dessas tecnologias para o mar. Em 14 de novembro de 2025, o navio de assalto anfíbio Type 076 Sichuan iniciou testes marítimos. Com 40 mil toneladas e equipado com catapulta eletromagnética, a embarcação pode lançar helicópteros, aeronaves de decolagem curta ou vertical e modelos de asa fixa, integrando funções de transporte de tropas e apoio a operações anfíbias com a capacidade de operar drones em larga escala.