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Colômbia decide sucessão presidencial neste domingo em disputa entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda

21 de Junho de 2026 às 06:04

Colômbia realiza segundo turno da eleição presidencial neste domingo (21) entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda. Pesquisa do instituto Guarumo/Ecoanalítica indica vantagem para Espriella, com 52,6% das intenções de voto contra 45% de Cepeda

Colômbia decide sucessão presidencial neste domingo em disputa entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda
Reuters

A Colômbia decide neste domingo (21) a sucessão presidencial em um segundo turno que reflete a polarização política do continente e coloca frente a frente dois projetos antagônicos de país. A disputa entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda é vista como um embate indireto entre o atual presidente colombiano, Gustavo Petro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou apoio aberto a Espriella.

O cenário eleitoral é marcado pela ascensão de Espriella, advogado e empresário de 47 anos sem trajetória política prévia. Naturalizado estadunidense e republicano, o candidato de extrema direita se posiciona como uma figura anti-estabilishment. Sua plataforma baseia-se em medidas rigorosas contra o crime organizado, incluindo a construção de dez megaprisões e ofensivas militares, inspirando-se nas gestões de Donald Trump e do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Na economia, propõe a redução do Estado em 40%, a ampliação da base tributária, a diminuição de impostos corporativos para estimular o setor privado e a retomada da exploração de petróleo.

Do outro lado, Iván Cepeda, filósofo e senador de 63 anos, busca a continuidade do governo de Gustavo Petro, que deixa o cargo devido à proibição constitucional de reeleição. Cepeda fundamenta sua campanha na defesa dos direitos humanos e nos avanços sociais da gestão atual. Como estratégia de segurança, defende a manutenção das negociações de paz com grupos armados, movimento reforçado por uma entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros anunciada pelo governo na última sexta-feira (19).

Apesar de ter liderado as pesquisas iniciais, Cepeda enfrenta o desgaste da gestão Petro, especialmente no combate à criminalidade. A percepção de insegurança, que abrange desde extorsões urbanas até a expansão de grupos armados no campo, tornou-se a principal preocupação do eleitorado, superando a economia. Embora o governo tenha reduzido o desemprego e elevado o salário mínimo nominal em 75%, o país ainda lida com um déficit fiscal e os reflexos da pandemia.

A vitória de Espriella no primeiro turno surpreendeu o cenário político, chegando a ser questionada por Petro antes de ser reconhecida por Cepeda. Atualmente, as projeções indicam vantagem para o candidato de direita; levantamento do instituto Guarumo/Ecoanalítica para o jornal El Tiempo atribui 52,6% das intenções de voto a Espriella, contra 45% de Cepeda.

Com cerca de 40 milhões de eleitores aptos, o resultado, que pode ser divulgado ainda hoje, possui repercussão regional. Uma vitória de Espriella consolidaria a tendência de governos de direita na América Latina, alinhando a Colômbia a lideranças como Javier Milei, na Argentina, Nayib Bukele, em El Salvador, e José Antonio Kast, no Chile, o que isolaria as gestões de esquerda e alteraria as alianças geopolíticas na região.

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