Colômbia define neste domingo a presidência para o mandato entre 2026 e 2030
Colômbia realiza eleição presidencial neste domingo (31) com 14 candidatos para o mandato 2026-2030. Ivan Cepeda, Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella são os nomes com maiores chances de disputar o segundo turno em 21 de junho
A Colômbia define neste domingo (31) a presidência para o mandato entre 2026 e 2030. Com uma população de 53 milhões de pessoas, o segundo país mais populoso da América do Sul disputa a sucessão de Gustavo Petro em um cenário polarizado, com 14 candidatos no pleito. As projeções indicam que três nomes possuem maiores chances de avançar para o segundo turno, agendado para 21 de junho.
Ivan Cepeda, filósofo de esquerda e aliado de Petro, lidera as pesquisas e é visto como um forte candidato ao segundo turno. Com trajetória como legislador, Cepeda diferencia-se do atual presidente por não ter origem na guerrilha M-19. O candidato possui um histórico de enfrentamento político a Álvaro Uribe, ex-presidente e ícone da direita colombiana. Cepeda foi um dos responsáveis por reunir provas contra Uribe no caso dos "falsos positivos", crime ocorrido entre 2002 e 2008, no qual as forças armadas assassinaram cerca de 7,8 mil pessoas — majoritariamente jovens pobres — para simularem baixas de guerrilheiros e inflar números de combate. Uribe chegou a ser condenado em primeira instância em agosto de 2025 por fraude processual e suborno de testemunhas, embora tenha sido absolvido em segunda instância em outubro do mesmo ano.
Do lado oposto do espectro político, a senadora Paloma Valencia representa a direita tradicional. Alinhada ao uribismo e ao partido Centro Democrático, Valencia é contrária aos acordos de paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) e defende a repressão militar sem diálogo. A candidata sugere, inclusive, a nomeação de Álvaro Uribe para o Ministério da Defesa.
A corrida presidencial conta ainda com Abelardo de La Espriella, advogado milionário que se apresenta como um "outsider". Admirador de Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, Espriella abandonou a residência na Itália para concorrer com uma plataforma baseada no aumento da repressão criminal. Sua trajetória profissional inclui a representação de figuras controversas, como Jorge Visbal, condenado por ligações com paramilitares, e Alex Saab, empresário e diplomata venezuelano sancionado pelos Estados Unidos.
A segurança pública e a resolução de conflitos armados que persistem há mais de seis décadas são os eixos centrais do debate. Enquanto a direita e a extrema-direita defendem o enfrentamento bélico como solução única, a proposta de Cepeda e do governo Petro segue a linha da "paz total", que combina repressão com negociações multidisciplinares. A urgência do tema é evidenciada por episódios recentes de violência: em fevereiro de 2025, combates entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Estado causaram a expulsão de 52 mil pessoas na região de Catatumbo. Já nesta quinta-feira (28), confrontos envolvendo dissidências das Farcs resultaram em 52 mortes.
No plano geopolítico, o resultado da eleição determinará a orientação externa da Colômbia, país estratégico por possuir saída para o Caribe e para o Pacífico. Uma vitória de Cepeda deve manter a proximidade com o governo brasileiro, especialmente em pautas sociais e ambientais. Já a eleição de Paloma Valencia ou Abelardo de La Espriella sinalizaria o retorno de um vínculo mais estreito com Washington, retomando a posição de principal aliada dos Estados Unidos na região, característica do país até 2022.