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Colômbia terá segundo turno para a presidência após nenhum candidato alcançar a vitória imediata

01 de Junho de 2026 às 06:04

Abelardo de la Espriella (43,7%) e Ivan Cepeda (40,90%) disputarão o segundo turno da presidência da Colômbia em 21 de junho. O presidente Gustavo Petro questionou a contagem preliminar de votos, alegando divergências numéricas no software da empresa Thomas Greg & Sons

A Colômbia definirá seu próximo presidente em um segundo turno marcado no calendário para o dia 21 de junho, após nenhum candidato alcançar a vitória imediata no pleito realizado neste domingo (31). Com 99,92% das urnas apuradas, a liderança ficou com o candidato de direita Abelardo de la Espriella, que obteve 43,7% dos votos, seguido pelo representante da esquerda, Ivan Cepeda, com 40,90%.

O resultado preliminar foi prontamente questionado pelo atual presidente, Gustavo Petro. O mandatário afirmou não aceitar a contagem inicial, alegando que a pré-contagem realizada pela empresa Thomas Greg & Sons (TGS) não possui efeito legal. Petro apontou a existência de divergências numéricas entre o censo oficial e o software da firma privada, mencionando um excedente de 800 mil pessoas. O presidente informou que aguardará a revisão final dos votos por comissões de recontagem compostas por juízes da República.

A postura de Petro foi criticada por seu antecessor, Iván Duque. O ex-presidente defendeu a necessidade de a comunidade internacional e as instituições se manifestarem diante do que classificou como uma ameaça à democracia e um desrespeito à organização eleitoral do país.

A disputa concentra-se em visões opostas sobre a segurança pública, tema prioritário para 40% da população, segundo pesquisa do instituto Invamer. Abelardo de la Espriella, de 47 anos e líder do movimento ultraconservador Defensores da Pátria, propõe o enfrentamento militar contra guerrilhas e a construção de dez megaprisões. Alinhado a figuras como Donald Trump e Nayib Bukele, o advogado, conhecido como "El Tigre", defende a saída da Colômbia da ONU e da OEA, sob a justificativa de que tais órgãos promovem pautas de esquerda.

De la Espriella, que ganhou tração na reta final da campanha, enfrentou polêmicas que vão desde declarações íntimas em entrevistas televisivas e a venda de produtos próprios em seu site até a defesa jurídica de Alex Saab — empresário deportado aos EUA por suposta ligação com Nicolás Maduro. O candidato também relatou um plano de assassinato contra si por parte da inteligência colombiana e teve dois integrantes de sua campanha mortos em maio.

Do outro lado, Ivan Cepeda, senador de 63 anos e filósofo do partido Pacto Histórico, busca a continuidade das políticas sociais de Gustavo Petro, incluindo a reforma agrária e a ampliação do salário mínimo. Cepeda, que teve papel central no acordo de paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), defende o diálogo como a via para encerrar o conflito armado.

O histórico de Cepeda é marcado por embates judiciais com o ex-presidente Álvaro Uribe. Em 2012, Uribe o acusou de armar um complô para ligá-lo a paramilitares, mas a Justiça concluiu posteriormente que o senador agiu conforme sua função parlamentar. Embora Uribe tenha sido absolvido de suborno e fraude processual em 2025, a disputa política entre os dois permanece emblemática.

A violência persiste no país mesmo após o desarmamento das Farc em 2016, com grupos dissidentes disputando territórios ligados ao narcotráfico e mineração ilegal. Um exemplo recente ocorreu no dia 28, quando um confronto entre facções dissidentes resultou na morte de 52 rebeldes na Amazônia.

O cenário pós-eleitoral sugere dificuldades de governabilidade. O economista Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, aponta riscos ao sistema democrático em ambos os polos: na ultradireita, pelo questionamento de garantias judiciais e direitos humanos por De la Espriella; na esquerda, pela proposta de Cepeda de convocar uma Assembleia Constituinte caso o Congresso rejeite suas reformas sociais.

Além disso, a fragmentação do Legislativo deve persistir. As eleições de março indicaram que, embora o Pacto Histórico continue como a maior força política, não possui maioria própria, o que obrigará o próximo presidente a realizar negociações constantes para aprovar qualquer agenda governamental.

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