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Condenação de homem por assassinato gera onda de revolta nacional no Reino Unido

02 de Junho de 2026 às 18:09

Vickrum Digwa, de 23 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Henry Nowak, de 18 anos, em Southampton. O crime ocorreu em 3 de dezembro de 2025, após o agressor simular um ataque racista para enganar a polícia. A sentença gerou protestos no Reino Unido e investigações sobre a conduta dos agentes envolvidos

A condenação à prisão perpétua de Vickrum Digwa, 23 anos, desencadeou uma onda de revolta nacional no Reino Unido nesta terça-feira (2). O homem, um sikh, foi sentenciado pelo assassinato de Henry Nowak, de 18 anos, ocorrido em 3 de dezembro de 2025, na cidade de Southampton, ao sul da Inglaterra. O crime foi marcado por uma falsa alegação de ataque racista feita por Digwa para enganar as autoridades no momento da abordagem.

Durante a ação policial, Nowak foi algemado enquanto agonizava com ferimentos de faca. Os agentes só liberaram o jovem e iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar após perceberem a gravidade dos ferimentos, mas ele morreu pouco depois. A arma utilizada no crime era uma faca que Digwa portava sob a justificativa de isenções concedidas a sikhs para o uso de adagas cerimoniais. Ao ser interceptado, o assassino afirmou que seu turbante havia sido arrancado e que sofrera uma lesão no olho.

A Polícia de Hampshire pediu desculpas pelo ocorrido. Um dos policiais envolvidos na prisão pediu demissão, enquanto outros três foram classificados como testemunhas na investigação. O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que existem questões graves a serem respondidas, especialmente sobre como as alegações de racismo influenciaram a tomada de decisão dos agentes no caso.

A família de Nowak descreveu a conduta policial como desumana e degradante. Apesar disso, o pai do jovem declarou que a morte do filho não deve ser utilizada para fomentar ódio, tensão ou divisões sociais. Esse posicionamento foi endossado pela ministra do Interior, Shabana Mahmood, que defendeu a igualdade perante a lei e pediu calma. Mahmood alertou que comentários inflamatórios e ameaças contra policiais agravam a situação, reiterando que os serviços públicos devem avaliar o risco individual, independentemente de raça ou religião, e condenou quem busca lucro político com a tragédia.

Paralelamente, o cenário político foi tensionado por Nigel Farage, líder do partido Reform UK. Farage argumentou que o episódio demonstra a sobreposição dos direitos de minorias étnicas aos de britânicos brancos, sugerindo que o receio de ser rotulado como racista prevaleceu sobre a urgência de lidar com o assassinato. O político traçou um paralelo com a morte de George Floyd, ocorrida em 2020 nos Estados Unidos, referenciando a frase "não consigo respirar".

A repercussão imediata incluiu um protesto nesta terça-feira em frente à esquadra de polícia de Southampton, com a presença de centenas de pessoas e do ativista anti-imigração Tommy Robinson. Novas manifestações estão programadas para ocorrer ao longo da semana.

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