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Conflito Oriente Médio: 300 Incidentes Ambientais e Emissões Climáticas Globais se Agravam

31 de Março de 2026 às 09:11

A Guerra entre os EUA e Israel contra o Irã está causando graves consequências ambientais e climáticas na região do Oriente Médio. De acordo com um relatório, mais de 300 incidentes relacionados ao dano ambiental foram identificados nos países envolvidos desde o início da guerra. A Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente manifestou preocupação com os impactos ambientais do conflito e pediu um cessar-fogo urgente

A Guerra Irã-Israel: Consequências Ambientais e Climáticas Globais se Agravam

Um mês após o início da guerra entre os Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irã, a região do Oriente Médio enfrenta graves consequências ambientais e climáticas. De acordo com um relatório do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (Ceobs), mais de 300 incidentes relacionados ao dano ambiental foram identificados nos países envolvidos desde o início da guerra.

Os pesquisadores alertam para os perigos da continuidade do conflito, destacando a ameaça à saúde pública, ecossistemas terrestres e marinhos, recursos naturais e aquíferos. A contínua violência no Oriente Médio está causando danos ambientais generalizados, como poluição tóxica devido aos ataques a depósitos de petróleo.

A Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) manifestou preocupação com os impactos ambientais do conflito. A diretora executiva da Pnuma, Inger Andersen, afirmou que "o impacto ambiental deste conflito é imediato e severo" e pediu um cessar-fogo urgente para proteger a saúde humana e ambiental.

O Irã acusou Israel de cometer ecocídio, crime definido como uma destruição maciça e duradoura do meio ambiente causada por atos ilegais ou irresponsáveis. O regime iraniano pediu que as Nações Unidas responsabilizassem o governo israelense pelos danos ambientais.

O levantamento do Ceobs lista os principais riscos ambientais, incluindo:

* Riscos nucleares: Israel atacou instalações de enriquecimento nuclear no Irã e em retaliação foram bombardeadas cidades próximas às instalações israelenses.

* Infraestrutura de combustíveis fósseis: Dezenas de locais de produção, processamento e armazenamento foram danificados ou interrompidos na região.

* Golfo Pérsico: A maioria dos navios atacados pelo Irã era cargueiro a granel, e não petroleiros. No entanto, existe risco constante de derramamentos e capacidade limitada de resposta a eles.

Os ataques retaliatórios de Israel e EUA contra infraestrutura portuária e energética também representam ameaças à poluição costeira no Mar Vermelho.

O conflito está causando emissões intensas, com estimativas do Climate and Community Institute indicando que as 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono emitidas em apenas 14 dias. Se o conflito se estender por mais tempo e esse ritmo inicial se manter, as emissões mensais podem ultrapassar 10 milhões de toneladas.

Wagner Ribeiro, professor de geografia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em geopolítica e meio ambiente, analisa que o conflito gera preocupação porque os países envolvidos são fortemente envolvidos na produção de combustíveis fósseis. Além disso, quando se bombardeiam usinas de processamento de petróleo ou postos de gás não apenas a infraestrutura do inimigo é dificultada, mas também material queima e emissão aumenta.

O Instituto Talanoa publicou um levantamento recente sobre o impacto das guerras contemporâneas na emergência climática. Se o setor militar mundial fosse um país seria o quinto maior emissor de gases do efeito estufa no mundo, com cerca de 2,7 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GTCO2e), ou seja, 5,5% das emissões globais.

A China lidera essa lista seguida pelos Estados Unidos da Índia Rússia e Indonésia. O cálculo das emissões militares enfrenta obstáculos por causa da falta de transparência sobre os dados.

O instituto cita que conflitos armados mantêm emissões estruturais, mas podem gerar picos intensos em períodos menores. Lembra a guerra na Ucrânia onde cerca de 311,4 GTCO2e foram emitidos ao longo de quatro anos e os ataques israelenses na Faixa Gaza que emitiram 33,2 MtCO2e durante 15 meses.

As emissões acontecem em toda a cadeia militar. No processo logístico para transportar tropas armamentos veículos e equipes também no lançamento de mísseis propulsão é baseada em combustíveis fósseis além disso há energia necessária para a produção desses artefatos da vida.

Deveríamos apostar no diálogo, no multilateralismo, em vez de apostar nas máquinas de guerra como temos visto nos últimos anos.

Com informações de Agência Brasil

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