Congressista dos EUA defende revisão de imunidade judicial de ex-companheira de Jeffrey Epstein
A congressista Anna Paulina Luna defende a revisão da imunidade judicial de Nadia Marcinko, ex-companheira e copiloto de Jeffrey Epstein. Marcinko cooperou com o FBI em 2018 e é descrita como vítima de coerção, mas há evidências de que recrutou mulheres para o financista
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Nadia Marcinko, ex-companheira de Jeffrey Epstein por sete anos e posteriormente copiloto de seu jato particular, tornou-se o foco de novas discussões sobre cumplicidade e vitimização no esquema de tráfico sexual do financista. Marcinko é uma das quatro mulheres que receberam imunidade judicial em 2008, mas a congressista republicana Anna Paulina Luna, do Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, defende que esse acordo seja revisto, alegando que as envolvidas atuaram como cúmplices na operação de exploração de menores.
A relação entre Marcinko e Epstein começou em 2003, em Nova York, quando ela tinha 18 anos. O contato foi intermediado por Jean-Luc Brunel, amigo de Epstein e dono de uma agência de modelos, que providenciou o visto para que a eslovaca entrasse nos Estados Unidos. Devido ao controle financeiro de Epstein sobre a agência de Brunel, Marcinko relatou a investigadores federais que sentia que poderia ser deportada a qualquer momento por vontade do financista.
Registros de e-mails e documentos penitenciários detalham a dinâmica do casal. Durante a primeira condenação de Epstein, que cumpriu 13 meses de prisão por aliciamento de menor, Marcinko o visitou ao menos 67 vezes. As trocas de mensagens revelam que, embora houvesse sentimentos declarados, a relação era marcada por dominação. Marcinko descreveu ter sido vítima de violência física, incluindo episódios de sufocamento e agressões, além de ter sido coagida a realizar cirurgias plásticas e seguir rígidos padrões de peso e vestimenta.
Apesar do quadro de abuso, há evidências de que Marcinko atuou no recrutamento de outras mulheres para satisfazer os desejos sexuais de Epstein. Em mensagens de 2006 e 2009, ela menciona a possibilidade de encontrar garotas em Nova York ou trazer mulheres da Europa Oriental. Embora não existam provas nos arquivos de que ela tenha apresentado menores de idade ao financista, depoimentos de jovens em Palm Beach, na Flórida, indicam a participação de Marcinko nos abusos que levaram à condenação de Epstein em 2008.
A dependência financeira de Marcinko foi gradual. Em 2006, Epstein a colocou na folha de pagamento de uma agência de modelos com um salário anual de US$ 50 mil, mesmo sem que ela atuasse na profissão. Posteriormente, ele financiou o treinamento de aviação da eslovaca. Mesmo após a separação do casal em 2010, motivada por nova violência física, eles mantiveram vínculos: ela atuou como copiloto de seu jato em voos para a ilha Little St James a partir de 2012 e recebeu apoio financeiro de Epstein para complementar sua renda em 2015.
A mudança de postura de Marcinko ocorreu em 2018, quando começou a cooperar com o FBI. Em 2022, a agência apoiou a permanência dela nos EUA, classificando-a como alguém que foi recrutada e mantida por Epstein em uma relação sexual coercitiva.
Atualmente, enquanto as assistentes de Epstein, Sarah Kellen e Lesley Groff, aguardam interrogatórios parlamentares, a situação jurídica de Marcinko permanece em disputa. O debate central, destacado por Bridgette Carr, professora de direito da Universidade de Michigan, reside em determinar se uma vítima de coerção sexual pode ser considerada cúmplice, especialmente se continuou a cometer crimes após ter a oportunidade de escapar do controle do agressor.
Marcinko, que desapareceu da vida pública após a morte de Epstein em 2019, não respondeu aos pedidos de comentário. Em e-mails de 2012, ela expressou consciência sobre a manipulação de outras jovens por parte do financista, admitindo que sua consciência não estava limpa, apesar da lealdade que mantinha.