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Conselho da Paz criado por Donald Trump não possui fundos para reconstrução de Gaza

27 de Maio de 2026 às 12:30

O Conselho da Paz, criado por Donald Trump para a reconstrução de Gaza, não possui fundos em sua conta no Banco Mundial e enfrenta entraves legais. A entidade exige 1 bilhão de dólares para assentos permanentes, valor administrado por Trump, o que afastou a União Europeia e a Indonésia. Recursos de 100 milhões de dólares dos Emirados Árabes Unidos seguem congelados

Conselho da Paz criado por Donald Trump não possui fundos para reconstrução de Gaza
MANDEL NGAN / AFP

O Conselho da Paz, mecanismo criado por Donald Trump em janeiro para a reconstrução de Gaza e a resolução de conflitos, enfrenta graves entraves legais e a ausência total de fundos em sua conta bancária. Embora a iniciativa tenha sido concebida para operar sob a gestão pessoal de Trump, mesmo após sua saída da Casa Branca, o órgão não recebeu aportes financeiros, apesar de promessas bilionárias.

A estrutura financeira do Conselho diverge dos modelos convencionais, pois ignora o fundo administrado pelo Banco Mundial e aprovado pela ONU, optando por receber doações diretamente em uma conta no banco JPMorgan. Essa escolha resultou na inexistência de mecanismos independentes de transparência. Atualmente, o saldo na conta aberta especificamente no Banco Mundial é de zero dólares, sendo que apenas pequenos desembolsos na conta do JPMorgan foram utilizados para custear o escritório de Nikolai Mladenov, o Alto Representante da entidade.

O modelo de governança do fórum prioriza aliados ideológicos de Trump, parceiros históricos dos Estados Unidos no Oriente Médio e nações menores que buscam a atenção do governo americano. Essa composição afastou os países da União Europeia. Inicialmente, a iniciativa contou com o apoio dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña. Contudo, o interesse diminuiu após a revelação de que a manutenção de um assento permanente no Conselho custaria 1 bilhão de dólares, valor que seria administrado exclusivamente por Trump. Diante dessa exigência, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, descartou o pagamento da quantia.

A precariedade financeira do Conselho contrasta com a magnitude da crise em Gaza, onde Israel e o Hamas firmaram um cessar-fogo em outubro sob pressão estadunidense. Um estudo conjunto da ONU, União Europeia e Banco Mundial estimou, em abril, que a reconstrução da região demandará 71,4 bilhões de dólares nos próximos dez anos. Mesmo recursos específicos, como os 100 milhões de dólares destinados pelos Emirados Árabes Unidos para a criação de uma nova força policial em Gaza, permanecem congelados. No cenário diplomático, o presidente brasileiro Lula buscou evitar uma negativa direta ao projeto, propondo alterações a Trump durante contato telefônico.

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