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Consumo global de areia atinge 50 bilhões de toneladas e supera a extração de petróleo

13 de Maio de 2026 às 12:13

O consumo global de areia chegou a 50 bilhões de toneladas anuais, volume superior à extração de petróleo. Um relatório da UNEP indica que a natureza não repõe o material na velocidade da extração, impactando ecossistemas e causando danos irreversíveis em recifes de coral e habitats lagunares

Consumo global de areia atinge 50 bilhões de toneladas e supera a extração de petróleo
EFE/Programa de las Naciones Unidas sobre el Medio Ambiente

O consumo global de areia atingiu a marca de 50 bilhões de toneladas anuais, volume que supera drasticamente a extração de petróleo, estimada em 4,5 bilhões de toneladas por ano. O recurso, que ocupa a segunda posição entre os materiais mais utilizados no planeta, atrás apenas da água, é fundamental para a fabricação de chips, painéis solares, vidros e a construção de infraestruturas urbanas, como estradas e diques.

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), com sede em Genebra, alerta que a natureza não consegue repor o material na mesma velocidade em que ele é extraído. A tendência é que essa demanda cresça ainda mais, impulsionada pela expansão das cidades e de novas obras de engenharia, o que pode desencadear uma crise de escassez.

A problemática reside no conflito entre a areia utilizada como matéria-prima industrial e a areia que compõe ecossistemas ativos. Enquanto a primeira alimenta a indústria do concreto e a urbanização, a segunda é vital para a regulação de rios, filtragem de água e proteção de aquíferos costeiros contra a salinização. Além disso, as reservas naturais de areia servem como a barreira primária contra tempestades e a elevação do nível do mar.

Pascal Peduzzi, diretor da base de dados mundial de recursos da UNEP, destaca que a importância da areia na manutenção dos serviços naturais essenciais à sobrevivência humana ainda é subestimada, apesar de ser um elemento central para o desenvolvimento.

A degradação ambiental causada por essa extração é visível em regiões vulneráveis, como as Maldivas. Em Malé, capital do país onde 80% do território está a menos de um metro de altitude, a necessidade de expandir a área habitável diante da subida dos oceanos levou à implementação do projeto Gulhifalhu. A obra envolveu a dragagem de 24,5 milhões de metros cúbicos de areia no atolão norte de Malé para preencher uma lagoa de 192 hectares.

A operação resultou na destruição de 200 hectares de habitats lagunares e recifes de coral. De acordo com a UNEP, os danos causados a espécies marinhas, à atividade pesqueira e ao turismo local são irreversíveis.

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