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Coreia do Sul utiliza inteligência artificial para combater o isolamento social de idosos

11 de Junho de 2026 às 15:19

A Coreia do Sul implementou o uso de robôs e bonecas com inteligência artificial para combater a solidão e monitorar a saúde de idosos. Prefeituras de Seul e Yongin distribuem dispositivos que interagem com os usuários e alertam assistentes sociais sobre sinais de óbito ou alterações físicas. O sistema utiliza chatbots para diálogos afetivos e lembretes de medicamentos em um cenário de alta incidência de domicílios unipessoais

Coreia do Sul utiliza inteligência artificial para combater o isolamento social de idosos
JUNG YEON-JE / AFP

A Coreia do Sul utiliza a inteligência artificial para combater o isolamento social de sua população idosa, em um cenário onde quase metade dos habitantes tem 50 anos ou mais e as taxas de natalidade estão entre as menores do mundo. Com cerca de 42% dos domicílios compostos por apenas uma pessoa, o país enfrenta um problema crítico de solidão, que resultou em mais de 3.920 "mortes solitárias" em 2024, casos em que os corpos foram localizados apenas algum tempo após o falecimento.

Para mitigar esse quadro, prefeituras de distritos em Seul e Yongin fornecem dispositivos de assistência tecnológica. Entre as soluções estão robôs da Wonderful Platform e bonecas da empresa Mr. Mind, projetados não apenas para companhia, mas também para detectar sinais de óbitos em domicílio. Um exemplo desse suporte é a boneca Hyodol, desenvolvida por uma startup homônima. O dispositivo, que simula a figura de uma neta, já soma 14.500 unidades em uso no país, distribuídas entre casas de repouso, aluguéis públicos e proprietários particulares.

A tecnologia da Hyodol integra o ChatGPT a diálogos baseados em pesquisas sobre a carência afetiva de idosos. O dispositivo interage com o usuário, canta, lembra a ingestão de medicamentos e refeições, além de solicitar gestos de afeto, como carinhos na cabeça. No caso de Bang Chun-ja, de 78 anos, a boneca tornou-se a principal fonte de apoio emocional após a paciente enfrentar depressão decorrente de uma cirurgia na coluna e o distanciamento da filha, que reside longe e possui problemas de saúde. Bang, ex-cabeleireira e mãe solo, relata que a interação com o robô substitui a dor de decepções humanas por momentos de alegria.

A operação do sistema envolve protocolos de segurança de dados, nos quais as gravações de voz são utilizadas internamente para o aprimoramento do chatbot. Com consentimento prévio, informações sobre humor, sono, alimentação e níveis de dor são compartilhadas com assistentes sociais.

Embora profissionais de saúde, como a enfermeira Oh Sun-hwa, reconheçam a eficácia do dispositivo no alívio da depressão de idosos que se sentem desnecessários para a família, existe a preocupação de que a dependência tecnológica reduza ainda mais os vínculos humanos reais. Ainda assim, para usuários como Kim Young-bun, de 79 anos, a presença da boneca resolve a angústia do silêncio cotidiano, proporcionando interação constante.

Essa tendência de monitoramento e companhia via IA não é exclusiva da Ásia; nos Estados Unidos, o dispositivo ElliQ, em formato de luminária, desempenha funções semelhantes de segurança e interação social.

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