Corpo de Marines dos Estados Unidos desativa oficialmente o caça AV-8B Harrier II
O Corpo de Marines dos Estados Unidos desativou o caça AV-8B Harrier II, substituindo-o pelo F-35B Lightning II. A Marinha Espanhola permanece como a última operadora do modelo no mundo, com previsão de uso até 2032
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F316%2F87d%2F4ab%2F31687d4ab08a05462816d7dcbf0e59e8.jpg)
O Corpo de Marines dos Estados Unidos desativou oficialmente o AV-8B Harrier II, encerrando um ciclo de operações iniciado em 1971 com a adoção do modelo AV-8A, de origem britânica. A aeronave, reconhecida por sua capacidade de decolagem curta e pouso vertical, permitia que os Marines operassem em navios anfíbios, bases avançadas e áreas de selva sem a necessidade de pistas convencionais.
O modelo AV-8B representou a evolução da plataforma, incorporando asas de materiais compostos, radares AN/APG-65 — tecnologia derivada dos caças F/A-18A/B Hornet —, aviónica avançada e maior capacidade de carga. Ao longo de sua trajetória, o caça atuou em conflitos nos Bálcãs, Afeganistão, Iraque, Líbia e no combate ao Estado Islâmico, além de ter desempenhado papel central na Operação Tempestade do Deserto, em 1991.
As últimas missões operacionais nos EUA foram conduzidas pelo Esquadrão de Ataque de Marines 223 a bordo do USS Iwo Jima, integrando a 22ª Unidade Expedicionária de Marines. Até o encerramento definitivo, o aparelho foi utilizado em operações contra o tráfico de drogas no Caribe, via Operação Southern Spear, e em ações relacionadas à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano. A transição administrativa ocorreu de forma gradual, com o treinamento dos dois últimos pilotos habilitados no AV-8B realizado em 2024.
O substituto da aeronave é o F-35B Lightning II, que mantém a capacidade de pouso vertical, mas introduz sensores avançados, guerra eletrônica e tecnologia de invisibilidade ao radar. Enquanto isso, a Itália planeja desativar sua frota até 2028, deixando a Marinha Espanhola como a última operadora do AV-8B Harrier II no mundo.
Atualmente, a Espanha mantém dez aeronaves EAV-8B no navio de projeção estratégica Juan Carlos I. O Almirante Geral Antonio Piñeiro, Chefe de Estado Maior da Marinha, indicou que o cronograma de operação deve se estender até 2032. Para viabilizar a manutenção diante da escassez de peças, o governo espanhol mantém contratos até 2028 e colabora com a Airbus para gerir a obsolescência dos componentes. Como estratégia adicional, a Espanha estuda a compra de unidades desativadas dos EUA e da Itália para servirem como depósitos de peças.
Apesar do esforço logístico, a Espanha enfrenta um impasse estratégico. O governo suspendeu as negociações com os Estados Unidos para a compra do F-35B, priorizando a indústria europeia em seus investimentos de defesa. Como não há outra aeronave disponível no mercado, a Marinha Espanhola poderá enfrentar um vácuo de aviação embarcada de asa fixa por cerca de uma década. Para mitigar a situação, o país iniciou em 2025 um estudo de viabilidade para a construção de um novo porta-aviões equipado com catapultas e cabos de arresto, projeto que deve entrar em serviço apenas na segunda metade da década de 2030.