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Cuba acompanha movimentações militares dos Estados Unidos diante de ameaças de invasão à ilha

13 de Abril de 2026 às 09:59

Cuba acompanha movimentações militares dos Estados Unidos após ameaças de invasão. Restrições econômicas intensificadas desde janeiro causaram falta de combustível e cortes de energia que prejudicam serviços de saúde. No fim de março, a Rússia forneceu 100 mil toneladas de petróleo bruto ao país

O governo de Cuba monitora a movimentação das forças militares dos Estados Unidos após ameaças de Donald Trump de tomar a ilha. José R. Cabañas Rodríguez, diretor do Centro de Investigações de Política Internacional (Cipi) e ex-embaixador em Washington, afirma que o país está preparado para a possibilidade de uma invasão, fundamentando a resistência na unidade da população e no histórico de defesa nacional, como ocorreu na Praia Girón, em 1961.

A análise de Cabañas aponta que a sensação de iminência de um ataque estrangeiro já ocorreu em outros momentos, como durante as intervenções estadunidenses em Granada, em 1983, e no Panamá, em 1989. O diplomata ressalta que a presença dos EUA na base naval de Guantánamo, ocupada desde 1903, facilita a logística de qualquer operação, pois dispensa o deslocamento de tropas a longas distâncias. Além disso, ele interpreta a atual disseminação de informações sobre uma possível invasão como uma estratégia de guerra psicológica para amedrontar e desanimar os cubanos.

Essa tensão militar ocorre paralelamente a um endurecimento do bloqueio econômico, intensificado desde o final de janeiro. A Casa Branca tem ameaçado sancionar países que comercializem petróleo com Havana, o que deixou a ilha sem suprimentos de combustível por mais de três meses. O impacto imediato são apagões diários que superam 12 horas na capital e chegam a durar todo o dia em municípios do interior.

Diante da ONU, o presidente Miguel Díaz-Canel classificou o bloqueio energético como uma punição coletiva para subjugar a população por meio da escassez. O governo cubano reportou que a interrupção da energia afeta 16 mil pacientes de radioterapia e 2.888 pessoas dependentes de hemodiálise, além de deixar 96 mil cidadãos aguardando cirurgias, incluindo 11 mil crianças.

Para mitigar a crise, um petroleiro russo entregou 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto no final de março, volume que supre apenas um terço da demanda mensal. Enquanto isso, Havana e Washington iniciaram negociações para viabilizar a importação de petróleo, embora o governo cubano reforce que não aceitará concessões que violem sua soberania.

No cenário político interno dos Estados Unidos, há divergências sobre a política externa. Parlamentares do Partido Democrata, como a deputada Pramila Jayapal, criticam o embargo — o mais longo da história mundial — e defendem a normalização das relações bilaterais. Cabañas Rodríguez observa que existe um movimento de solidariedade ativo dentro dos EUA que pode pressionar contra a via militar.

Em entrevista à NBC News, Díaz-Canel reiterou a determinação de resistir a qualquer ofensiva armada. O cerco econômico, que já dura 66 anos desde a Revolução de 1959, reflete a tentativa de Washington de derrubar o governo do Partido Comunista e encerrar o desafio à hegemonia política dos Estados Unidos na América Latina.

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