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Desprendimento de iceberg na Antártida revela ecossistema isolado com biodiversidade diversificada

09 de Abril de 2026 às 06:22

A separação de um iceberg de 600 km² na Península Antártica permitiu que o Schmidt Ocean Institute analisasse um ecossistema isolado. A expedição utiliza um veículo remoto para registrar espécies como a água-viva fantasma gigante e um possível novo isópode. Especialistas de sete países coletam amostras para estudar a biodiversidade e os efeitos do degelo

O desprendimento de um iceberg de 600 km² na Península Antártica, com dimensões semelhantes às da cidade de Chicago, permitiu que pesquisadores acessassem um ecossistema que permaneceu isolado sob o gelo por décadas ou séculos. A expedição, coordenada pelo Schmidt Ocean Institute, realiza a primeira análise abrangente dessa região recém-exposta, revelando uma comunidade biológica ativa e diversificada que desafia as previsões sobre a sobrevivência em ambientes extremos.

Para explorar a área, a equipe utiliza um veículo operado remotamente (ROV) capaz de atingir 1.300 metros de profundidade. As imagens capturadas demonstram um ambiente dinâmico, com interações ecológicas claras, como o registro de uma lula capturando um peixe. Entre as espécies identificadas, destaca-se a água-viva fantasma gigante, que pode chegar a 1 metro de diâmetro e possuir tentáculos de até 10 metros. A presença de um polvo de grande porte e de um isópode que pode representar uma nova espécie reforça a hipótese de se tratar de um ecossistema antigo.

A co-líder da missão, Patricia Escateto, afirma que a biodiversidade encontrada supera as expectativas, descrevendo o sistema como próspero e visualmente rico, apesar das temperaturas baixíssimas e da escassez de luz. A atividade dos organismos confirma que o sistema biológico funcionou continuamente, mesmo durante o longo período de isolamento.

A missão reúne especialistas de Portugal, Reino Unido, Chile, Alemanha, Noruega, Nova Zelândia e Estados Unidos. O grupo coleta amostras de água, rochas e organismos para investigar os efeitos químicos e físicos do degelo glacial no ambiente marinho e compreender a evolução desses ecossistemas.

Embora os mecanismos que sustentam a vida nessas condições ainda sejam desconhecidos, o Schmidt Ocean Institute ressalta que o estudo desses sistemas é fundamental para avaliar os impactos ambientais em regiões polares. A tendência de aumento no desprendimento de geleiras sugere que outros ambientes semelhantes possam vir a ser expostos, levantando novas questões sobre a existência de outros ecossistemas preservados sob o gelo antártico.

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