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Dez países europeus criam coalizão para estabelecer sistema compartilhado de defesa contra mísseis balísticos

14 de Julho de 2026 às 06:10

Dez países europeus, incluindo França, Alemanha e Ucrânia, criaram uma coalizão para estabelecer uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos. O anúncio ocorreu em Paris, durante encontro entre os presidentes Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky

Dez países europeus criam coalizão para estabelecer sistema compartilhado de defesa contra mísseis balísticos
Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia via AP

França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido, Dinamarca e Ucrânia formaram uma coalizão para estabelecer uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos na Europa. O anúncio foi feito em Paris, durante encontro entre os presidentes Volodymyr Zelensky e Emmanuel Macron.

A iniciativa surge como resposta ao aumento do uso de armamentos balísticos pela Rússia no conflito iniciado em 2022. A ameaça tornou-se mais evidente no último dia 6, quando Kiev sofreu um dos ataques mais severos da guerra, com o lançamento de 23 mísseis balísticos, nenhum dos quais foi interceptado pelas defesas ucranianas.

A ameaça dos mísseis hipersônicos

A preocupação do continente europeu intensificou-se em janeiro, com a utilização frequente dos mísseis hipersônicos Oreshnik por Moscou. Este sistema possui alcance intermediário, podendo atingir alvos a até 5.500 km de distância, e atinge velocidades de 13 mil km/h. Tais características permitem que a Rússia atinja grande parte da Europa a partir de seu próprio território ou de Belarus, onde o sistema já possui unidades instaladas.

Diferente dos mísseis de cruzeiro, que voam a baixas altitudes para evitar radares e podem ser guiados remotamente, os mísseis balísticos operam como foguetes. Eles atingem altitudes de centenas de quilômetros e alcançam velocidades entre dez e vinte vezes superiores à do som, podendo impactar o alvo a 3.200 km/h. Essa alta energia cinética na fase final do voo torna a interceptação desses projéteis significativamente mais complexa.

Dependência tecnológica e produção local

Atualmente, a Ucrânia depende do sistema americano Patriot para enfrentar mísseis balísticos, já que as defesas antiaéreas fornecidas pela Europa são voltadas prioritariamente para mísseis de cruzeiro. O Patriot, desenvolvido pela Raytheon Technologies, é um sistema móvel terra-ar em operação desde os anos 1980.

Apesar do fornecimento dos Estados Unidos desde julho de 2025, a Força Aérea da Ucrânia enfrenta uma escassez crítica de interceptadores, vulnerabilidade que tem sido explorada pela Rússia. Para mitigar esse problema, o presidente Donald Trump anunciou, durante a cúpula da Otan, a intenção de conceder a Kiev uma licença para a produção independente de mísseis Patriot. No entanto, a implementação dessa medida deve levar anos, devido à necessidade de adaptação do parque industrial e instalação da tecnologia no país.

Cenário estratégico europeu

A Europa busca reduzir a dependência dos sistemas americanos através de projetos próprios, como o HYDIS e o EU HYDEF, desenvolvidos há cerca de três anos. Essas iniciativas ocorrem paralelamente ao cenário de instabilidade na relação com os EUA, marcado pelas críticas de Donald Trump à Otan e por declarações sobre a anexação da Groenlândia.

A nova coalizão reconhece a experiência prática da Ucrânia no combate à agressão russa para fortalecer a rede de proteção europeia. O grupo permanece aberto à adesão de novos países, embora ainda não exista um cronograma definido para a implementação do sistema.

Enquanto isso, o governo de Vladimir Putin mantém a postura de retaliação após ataques ucranianos de longo alcance contra terminais, petroleiros e refinarias, que provocaram falta de combustível em território russo.

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