Dez países europeus criam coalizão para estabelecer sistema compartilhado de defesa contra mísseis balísticos
Dez países europeus, incluindo França, Alemanha e Ucrânia, criaram uma coalizão para estabelecer uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos. O anúncio ocorreu em Paris, durante encontro entre os presidentes Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky
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França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido, Dinamarca e Ucrânia formaram uma coalizão para estabelecer uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos na Europa. O anúncio foi feito em Paris, durante encontro entre os presidentes Volodymyr Zelensky e Emmanuel Macron.
A iniciativa surge como resposta ao aumento do uso de armamentos balísticos pela Rússia no conflito iniciado em 2022. A ameaça tornou-se mais evidente no último dia 6, quando Kiev sofreu um dos ataques mais severos da guerra, com o lançamento de 23 mísseis balísticos, nenhum dos quais foi interceptado pelas defesas ucranianas.
A ameaça dos mísseis hipersônicos
A preocupação do continente europeu intensificou-se em janeiro, com a utilização frequente dos mísseis hipersônicos Oreshnik por Moscou. Este sistema possui alcance intermediário, podendo atingir alvos a até 5.500 km de distância, e atinge velocidades de 13 mil km/h. Tais características permitem que a Rússia atinja grande parte da Europa a partir de seu próprio território ou de Belarus, onde o sistema já possui unidades instaladas.
Diferente dos mísseis de cruzeiro, que voam a baixas altitudes para evitar radares e podem ser guiados remotamente, os mísseis balísticos operam como foguetes. Eles atingem altitudes de centenas de quilômetros e alcançam velocidades entre dez e vinte vezes superiores à do som, podendo impactar o alvo a 3.200 km/h. Essa alta energia cinética na fase final do voo torna a interceptação desses projéteis significativamente mais complexa.
Dependência tecnológica e produção local
Atualmente, a Ucrânia depende do sistema americano Patriot para enfrentar mísseis balísticos, já que as defesas antiaéreas fornecidas pela Europa são voltadas prioritariamente para mísseis de cruzeiro. O Patriot, desenvolvido pela Raytheon Technologies, é um sistema móvel terra-ar em operação desde os anos 1980.
Apesar do fornecimento dos Estados Unidos desde julho de 2025, a Força Aérea da Ucrânia enfrenta uma escassez crítica de interceptadores, vulnerabilidade que tem sido explorada pela Rússia. Para mitigar esse problema, o presidente Donald Trump anunciou, durante a cúpula da Otan, a intenção de conceder a Kiev uma licença para a produção independente de mísseis Patriot. No entanto, a implementação dessa medida deve levar anos, devido à necessidade de adaptação do parque industrial e instalação da tecnologia no país.
Cenário estratégico europeu
A Europa busca reduzir a dependência dos sistemas americanos através de projetos próprios, como o HYDIS e o EU HYDEF, desenvolvidos há cerca de três anos. Essas iniciativas ocorrem paralelamente ao cenário de instabilidade na relação com os EUA, marcado pelas críticas de Donald Trump à Otan e por declarações sobre a anexação da Groenlândia.
A nova coalizão reconhece a experiência prática da Ucrânia no combate à agressão russa para fortalecer a rede de proteção europeia. O grupo permanece aberto à adesão de novos países, embora ainda não exista um cronograma definido para a implementação do sistema.
Enquanto isso, o governo de Vladimir Putin mantém a postura de retaliação após ataques ucranianos de longo alcance contra terminais, petroleiros e refinarias, que provocaram falta de combustível em território russo.