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Diferença de 651 votos mantém incerteza sobre o vencedor das eleições presidenciais no Peru

11 de Junho de 2026 às 06:33

Com 98% das urnas apuradas, Keiko Fujimori lidera as eleições presidenciais do Peru com 50,001% dos votos, superando Roberto Sánchez por 651 votos. A definição final do pleito pode levar dias devido ao sistema de votação por cédulas de papel

O Peru atravessa um cenário de incerteza política após quatro dias de apuração do segundo turno das eleições presidenciais, sem que haja a definição do vencedor entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o deputado de esquerda Roberto Sánchez. Com virtualmente 98% das urnas contabilizadas até a madrugada desta quinta-feira (10), a diferença entre os concorrentes é de apenas 651 votos, colocando Fujimori com 50,001% e Sánchez com 49,999%.

A oscilação dos resultados marcou o processo de contagem. No domingo (7), os primeiros dados oficiais indicavam uma vantagem de cinco pontos percentuais para Fujimori. Essa margem caiu para menos de um ponto na manhã de segunda-feira (8), até que, às 13h07 do mesmo dia, Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, assumiu a liderança. No entanto, a apuração dos votos do exterior, que atingiu 67,36%, favorece amplamente a candidata do Força Popular, que soma 62,46% contra 37,54% do adversário.

A definição final do pleito, que envolve 27,33 milhões de eleitores, pode levar dias, devido ao sistema de votação por cédulas de papel. O histórico eleitoral de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e fundadora de sua própria legenda em 2008, é marcado por três derrotas anteriores em segundos turnos, ocorridas em 2011, 2016 e 2021. No primeiro turno de 2026, ela obteve 17,2% dos votos válidos, enquanto Sánchez, cuja base de apoio concentra-se em zonas rurais e áreas remotas, alcançou 12%.

O processo eleitoral ocorre em um contexto de profunda instabilidade institucional, com o Peru tendo registrado nove presidentes em um intervalo de dez anos, apesar de os mandatos serem previstos para cinco anos. O primeiro turno de 2026 refletiu essa fragmentação, com um recorde de 35 candidatos. A crise de representatividade é evidenciada por dados que apontam que 90% da população possui pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional, enquanto apenas 10% dos cidadãos declaram satisfação com a democracia no país.

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