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Dois intermediários de mão de obra são presos por matar quatro imigrantes na Itália

04 de Junho de 2026 às 06:20

Quatro imigrantes morreram queimados em um veículo na Calábria, Itália, após ataque de intermediários de mão de obra. Dois paquistaneses foram presos sob a suspeita de cometer o crime motivado por dívidas financeiras. Um jovem afegão sobreviveu ao episódio

Dois intermediários de mão de obra são presos por matar quatro imigrantes na Itália
Polizia di Stato/Reprodução

Quatro trabalhadores imigrantes, sendo três afegãos e um paquistanês, morreram queimados dentro de um veículo na última segunda-feira (1º), em Corigliano-Rossano, na região da Calábria, sul da Itália. O crime ocorreu após agressores bloquearem as portas do automóvel, despejarem gasolina em seu interior e atearem fogo com um isqueiro. Apenas um jovem afegão sobreviveu ao ataque ao saltar por uma das janelas do carro.

A polícia prendeu dois paquistaneses suspeitos de executar o crime. Ambos são identificados como "caporali", intermediários que controlam a mão de obra precária no país. O sobrevivente relatou que a violência foi motivada por cobranças financeiras feitas pelos intermediários para custear o transporte até as fazendas, valores que as vítimas não conseguiam quitar devido aos salários irregulares e baixos que recebiam. A identificação dos detidos foi viabilizada por imagens de câmeras de segurança de um posto de gasolina e pelo depoimento da testemunha.

O episódio expõe a persistência do "caporalato", sistema de escravidão moderna em que recrutadores fornecem trabalhadores para grandes explorações agrícolas, muitas vezes sob a influência de organizações mafiosas. Dados do sindicato CGIL indicam que cerca de 70% desses operários atuam sem contrato formal.

Apesar de a Itália ter aprovado em 2025 uma lei que prevê o confisco de bens e penas de até seis anos de prisão para exploradores de mão de obra, a fiscalização é insuficiente. O país apresenta um déficit de ao menos 6 mil inspetores do trabalho para monitorar as propriedades rurais.

A exploração de imigrantes extrapola o setor agrícola do sul e atinge a construção civil, a indústria têxtil e a logística no centro e norte da Itália. Recentemente, em Milão, um dirigente de construção foi preso por empregar centenas de indianos clandestinamente nas obras do novo consulado americano. Segundo o Ministério Público, esses trabalhadores cumpriam jornadas de 12 horas diárias, inclusive durante períodos de enfermidade, com remuneração de dois euros por hora.

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