Dois terremotos deixam 188 mortos e 1.520 feridos na cidade de La Guaira, na Venezuela
Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 em La Guaira, Venezuela, causaram 188 mortes e 1.520 feridos. A região foi declarada zona de desastre, com hospitais superlotados e instalação de unidades de campanha pelas Forças Armadas. Moradores realizam resgates manuais devido à falta de maquinário pesado
A cidade costeira de La Guaira, na Venezuela, tornou-se o epicentro de uma crise humanitária após dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorridos em um intervalo de menos de um minuto na noite de quarta-feira (24). O impacto dos sismos resultou em 188 mortes e 1.520 feridos, levando a presidente interina, Delcy Rodríguez, a classificar a região como zona de desastre.
Quase 24 horas depois dos tremores, a população de La Guaira improvisou resgates cavando escombros manualmente. A ausência de maquinário pesado, como retroescavadeiras, impede a remoção de placas de concreto de prédios colapsados, forçando moradores a buscarem parentes e sobreviventes com as próprias mãos. No bairro Los Corales, houve pedidos urgentes pela mobilização de tratores e do Exército para agilizar as buscas.
Apesar da precariedade, esforços civis resultaram na retirada de três pessoas vivas de um edifício, além do salvamento de uma mulher e duas crianças feridas em outro prédio residencial. Em contrapartida, a tragédia deixou vítimas fatais em residências, incluindo a morte de uma menina.
O cenário urbano é de devastação: incêndios atingiram escombros durante a madrugada, mesmo com o corte do fornecimento de gás, e dezenas de desabrigados passaram a noite nas ruas. A escassez de recursos básicos levou moradores a buscarem água e comida, com registros de saques em ao menos duas lojas da cidade.
A rede de saúde opera no limite. O Hospital José María Vargas, em La Guaira, superlotou, obrigando a equipe a realizar atendimentos em áreas externas sob controle policial. Para tentar mitigar o colapso, as Forças Armadas iniciaram a instalação de hospitais de campanha capazes de realizar cirurgias de emergência na localidade.
A crise se estende a outras regiões, como no hospital de Morón, onde a equipe médica enfrentou plantões de 24 horas sem suprimentos básicos. Na unidade, 112 pessoas foram atendidas, resultando em nove óbitos por fraturas cranianas e outros ferimentos, entre os quais três crianças. Em Caracas, a população também relatou demora no atendimento de emergência em diversos bairros.
Enquanto o governo afirma trabalhar com empresas privadas para mobilizar máquinas de resgate, a situação permanece crítica para as famílias, exemplificada por casos de amputações e mortes infantis causadas pelo esmagamento sob as estruturas destruídas.