Dois terremotos na Venezuela deixam quase 3 mil mortos e prejuízos de R$ 34,6 bilhões
Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 causaram quase 3 mil mortes, mais de 16 mil feridos e 15 mil famílias desabrigadas na Venezuela em 24 de junho. O Pnud estima prejuízos preliminares de R$ 34,6 bilhões, com o colapso de 189 construções e danos em outras 885 edificações. Mais de 30 mil socorristas locais e internacionais atuam nas operações de resgate
A Venezuela contabiliza quase 3 mil mortos e mais de 16 mil feridos após dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho. A tragédia deixou mais de 15 mil famílias desabrigadas e, segundo estimativas da ONU, o impacto pode ter atingido até 6,7 milhões de pessoas. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) avalia os prejuízos preliminares em R$ 34,6 bilhões, valor que não inclui os custos para a reconstrução das estruturas.
O cenário de destruição envolve o colapso de 189 construções e danos em outras 885 edificações, incluindo escolas, hospitais, comércios e prédios residenciais. As operações de resgate seguem em curso com a mobilização de mais de 30 mil trabalhadores, compostos por equipes locais e socorristas internacionais que levaram cães farejadores, insumos médicos e equipamentos de busca.
A gravidade dos danos é explicada por um fenômeno sismológico chamado de terremoto duplo. Em um intervalo de menos de um minuto, a região foi atingida por dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os eventos tiveram origem em falhas geológicas distintas, o que os caracteriza como dois eventos principais e não como um tremor seguido de réplicas. Devido à natureza logarítmica da escala, o segundo sismo liberou aproximadamente três vezes mais energia que o primeiro. A sucessão imediata fez com que estruturas já fragilizadas pelo primeiro impacto colapsassem com a segunda onda de energia, potencializada ainda pela baixa profundidade dos focos, que intensificou a vibração na superfície.
Além dos fatores naturais, a precariedade das construções agravou a catástrofe. O solo da região afetada, composto por sedimentos, naturalmente intensifica as vibrações. Somam-se a isso a falta de fiscalização e o descumprimento de normas técnicas em edifícios, especialmente em conjuntos habitacionais erguidos rapidamente por programas governamentais. Um exemplo crítico foi o complexo Urbanismo Hugo Chávez, em Catia La Mar, que sofreu desabamentos massivos por ter sido construído sem a supervisão adequada e ignorando a legislação para áreas de risco.
A resposta estatal foi comprometida por uma crise econômica e social preexistente. A deterioração da infraestrutura, manifestada por apagões constantes e interrupções no fornecimento de água, dificultou a organização do socorro. Hospitais já operavam com escassez de profissionais, medicamentos e equipamentos antes dos sismos. Essa fragilidade fez com que, nos primeiros momentos, os próprios moradores realizassem os resgates de familiares antes da chegada de equipes especializadas.