Donald Trump classifica como inaceitáveis os termos propostos pelo Irã para encerrar a guerra
Donald Trump rejeitou as condições do Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, que incluem a suspensão de sanções petrolíferas e a soberania sobre o Estreito de Ormuz. O governo iraniano propõe a diluição de urânio e compensações financeiras, enquanto drones interrompem a estabilidade na região do Golfo
Donald Trump classificou como inaceitáveis os termos propostos pelo Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, em declaração feita neste domingo (10). A resposta iraniana, encaminhada ao Paquistão, que atua como mediador, condiciona a paz ao fim dos conflitos em todas as frentes e a garantias contra novas ofensivas dos Estados Unidos.
O governo iraniano exige a suspensão das sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sobre a venda de petróleo por 30 dias, além do término do bloqueio naval. Teerã também solicita compensações financeiras pelos danos da guerra e reivindica a soberania sobre o Estreito de Ormuz.
No campo nuclear, o Irã propõe diluir parte de seu urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, com a condição de que o material seja devolvido caso o acordo seja abandonado ou as negociações fracassem. Embora aceite suspender o enriquecimento de urânio, o país rejeita o desmantelamento de suas instalações e não concorda com a moratória de 20 anos sugerida pelos Estados Unidos, propondo um prazo menor. Tais questões seriam discutidas nos próximos 30 dias.
Enquanto as negociações ocorrem, a instabilidade na região persiste. Neste domingo, drones hostis foram detectados em diversos países do Golfo, interrompendo um período de 48 horas de relativa calma. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait interceptaram aeronaves não tripuladas, e o Catar condenou um ataque de drone contra um cargueiro em suas águas. O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, alertou Washington contra ataques a navios iranianos.
Apesar da tensão, houve movimentações marítimas significativas. O navio Al Kharaitiyat, da QatarEnergy, transportando gás natural liquefeito, cruzou o estreito rumo ao Paquistão — a primeira embarcação catariana a fazê-lo desde o início do conflito. Um navio graneleiro com bandeira do Panamá e destino ao Brasil também atravessou a região seguindo rota indicada pelas Forças Armadas iranianas.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, gerando represálias regionais e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, via crucial para o petróleo e gás globais. A guerra já causou milhares de mortes, especialmente no Líbano e no Irã, e elevou os preços da energia mundialmente.
Diante da crise energética e da pressão para conter a guerra, Donald Trump deve viajar à China nesta semana. Paralelamente, o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, e o chanceler da Turquia mantiveram contatos com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi. Al-Thani defendeu a liberdade de navegação e alertou que usar o Estreito de Ormuz como pressão agravaria a crise. No Irã, parlamentares trabalham em um projeto de lei para formalizar o controle sobre o estreito e restringir a passagem de navios de nações consideradas hostis.
Internacionalmente, Washington encontra resistência. Aliados da OTAN negaram o envio de navios sem um acordo de paz definitivo e uma missão formal. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, criticou a falta de apoio após reunião com a premiê italiana, Giorgia Meloni. A Grã-Bretanha, contudo, anunciou no sábado o envio de um navio de guerra para apoiar uma eventual missão multinacional de segurança marítima.