Donald Trump e Xi Jinping se reúnem em Pequim para discutir comércio, tecnologia e geopolítica
Donald Trump viaja a Pequim para reunir-se com Xi Jinping e discutir tecnologia, comércio, Taiwan e Irã. A China investirá 400 bilhões de dólares em robótica, enquanto reduz a dependência comercial dos Estados Unidos. O encontro ocorre em um contexto de disputa pela supremacia em inteligência artificial e semicondutores
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Donald Trump retorna a Pequim para um encontro com Xi Jinping em um cenário geopolítico significativamente alterado desde sua última visita, em 2017. Embora a recepção mantenha a grandiosidade — com previsão de visita ao complexo de Zhongnanhai —, a dinâmica de poder entre as duas nações evoluiu. Washington agora reconhece a China como uma potência quase equivalente e o concorrente mais poderoso de sua história, eliminando a necessidade de Pequim de tentar provar que está no mesmo nível geopolítico dos Estados Unidos.
A agenda da cúpula é complexa e abrange temas como tecnologia, comércio, a situação de Taiwan e a instabilidade no Irã. A China, inclusive, é vista como peça fundamental para que Trump tente intermediar um acordo com Teerã. No campo tecnológico, a disputa pela supremacia da inteligência artificial e da robótica é central. Pequim planeja investir cerca de 400 bilhões de dólares em robótica apenas este ano, mas ainda depende de semicondutores avançados da empresa norte-americana Nvidia para operar seus sistemas de IA, ponto que pode gerar atritos nas negociações.
Essa nova fase chinesa é materializada em cidades como Chongqing, no sudoeste do país. O centro industrial foi transformado por bilhões em financiamento estatal em um símbolo de modernidade e automação, buscando atrair turistas estrangeiros com a isenção de vistos. A cidade reflete a estratégia de Xi Jinping de investir em "novas forças produtivas", com foco em energia renovável, robótica e IA. No entanto, esse crescimento acelerado resultou em forte endividamento do governo local, somado a um setor imobiliário em crise, desemprego crescente e baixo consumo.
No âmbito comercial, a China reduziu sua dependência do mercado americano. As exportações para os EUA caíram cerca de 20% nos últimos anos, e o país agora ocupa a terceira posição entre os parceiros comerciais chineses, ficando atrás da União Europeia e do Sudeste Asiático. Para consolidar essa autossuficiência, Xi Jinping promoveu ligações ferroviárias diretas entre a China, Ásia Central e Europa, com investimentos de 5 bilhões de dólares, facilitando a exportação de produtos como veículos elétricos.
Enquanto Trump busca resultados tangíveis, como o aumento da compra de produtos americanos, a China visa projetar uma imagem de estabilidade e abertura ao mundo. Apesar do controle autoritário rigoroso do Partido Comunista e da vigilância estatal, Pequim tenta se posicionar como um porto seguro em contraste com a imprevisibilidade da política "America First", que afastou aliados e rivais, abrindo espaço para que a China estreite laços com líderes do Canadá, Alemanha e Reino Unido.