Donald Trump intensifica a substituição de republicanos dissidentes por aliados durante as primárias americanas
Donald Trump consolidou seu controle no Partido Republicano ao afastar correligionários divergentes, resultando na derrota de parlamentares como Thomas Massie e Bill Cassidy em primárias. O processo incluiu a substituição de críticos por candidatos alinhados e a saída de membros da sigla. A disputa de Massie registrou gastos recordes de US$ 32 milhões
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/5/Z/Khz6CETEeCfCCle5cZLw/77208000-1004.webp)
Donald Trump tem intensificado a consolidação de seu controle sobre o Partido Republicano ao afastar correligionários que divergem de suas diretrizes. Esse movimento de expurgo interno manifestou-se recentemente na derrota de parlamentares críticos ao governo durante as primárias, etapa essencial do sistema eleitoral americano para a definição de quem disputará as vagas nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.
Em um curto intervalo de tempo, o deputado Thomas Massie, de Kentucky, e o senador Bill Cassidy, da Louisiana, foram superados por candidatos alinhados ao trumpismo. Massie perdeu a votação interna nesta terça-feira (19), enquanto Cassidy foi derrotado no sábado. O cenário de exclusão de dissidentes também atingiu a Louisiana, onde cinco senadores estaduais perderam as primárias para nomes apoiados por Trump após se oporem a uma reforma eleitoral proposta pelo presidente. Outro caso emblemático foi a derrota do secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, em primária para governador; ele havia resistido a pressões de Trump para alterar o resultado da eleição presidencial de 2020 em seu estado.
A pressão do presidente também resultou na saída do senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, que optou pela aposentadoria após desentendimentos com Trump. Já a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, anteriormente aliada, renunciou ao mandato após críticas ao apoio dos EUA a Israel e pressões pela liberação dos arquivos de Epstein, o que a tornou alvo de ataques públicos do presidente e ameaças de morte por parte de seus apoiadores.
No caso de Thomas Massie, a disputa financeira foi recorde, tornando-se a primária para deputados mais cara da história dos EUA, com gastos publicitários superiores a US$ 32 milhões. O deputado, que votou contra o apoio militar a Tel Aviv e contra resoluções de combate ao antissemitismo, enfrentou a oposição de grupos de lobby pró-Israel. Esses grupos injetaram mais de 9 milhões de dólares na campanha de Ed Gallrein, ex-membro da força de elite Navy Seal e endossado por Trump. Após a derrota, Massie ironizou a vitória de Gallrein sugerindo que o adversário estaria em Tel Aviv e criticou a submissão do Legislativo às vontades do presidente, argumentando que a obediência cega transforma a república em um governo de arruaça.
Bill Cassidy, que tentava migrar para a Câmara dos Deputados após perder a primária ao Senado, foi alvo de ataques de Trump nas redes sociais, sendo chamado de "cara terrível" e "desastre desleal". O senador havia votado a favor da condenação do presidente após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, apoiado a criação de uma comissão de investigação sobre o evento e solicitado que Trump desistisse da candidatura de 2024 após ser indiciado por posse ilegal de informações confidenciais.
A estratégia de alinhamento forçado estende-se a outros membros da sigla, como a deputata Lauren Boebert, de Colorado, que foi hostilizada por Trump nas redes sociais por ter apoiado Massie. O controle rigoroso do partido ocorre em um momento em que as eleições de meio de mandato são vistas como decisivas, podendo ameaçar a maioria republicana no Senado e na Câmara, especialmente diante da queda de popularidade do governo. Sobre a eficácia dessa movimentação, Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca, afirmou que não se deve duvidar do poder político de Donald Trump.