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Doze por cento dos trabalhadores na Espanha perderam seus empregos devido à inteligência artificial

27 de Maio de 2026 às 06:12

Doze por cento dos trabalhadores na Espanha perderam seus empregos devido à inteligência artificial, segundo o relatório Global Workforce of the Future 2025. O levantamento indica que 47% dos profissionais do país temem a instabilidade futura, enquanto apenas 18% receberam treinamento para utilizar a tecnologia

Doze por cento dos trabalhadores na Espanha perderam seus empregos devido à inteligência artificial
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A inteligência artificial deixou de ser uma projeção futura para se tornar um fator real de desemprego na Espanha. De acordo com o relatório "Global Workforce of the Future 2025", da Adecco Group, 12% dos trabalhadores espanhóis afirmam ter perdido seus postos de trabalho devido a essa tecnologia, índice próximo à média mundial de 13%. O levantamento baseou-se em 35 mil pesquisas em 27 países, sendo 2.025 respondentes na Espanha.

A insegurança quanto à estabilidade profissional a longo prazo é mais acentuada no país do que no restante do mundo: 47% dos trabalhadores espanhóis temem perder seus empregos, enquanto a média global é de 40%. Apesar desse receio, há uma estabilidade imediata, com 84% dos profissionais prevendo a permanência em suas empresas atuais nos próximos 12 meses.

Essa contradição ocorre enquanto a automação e os sistemas generativos são integrados a rotinas como a gestão de e-mails, análise de dados e redação de documentos. No entanto, a implementação dessas ferramentas enfrenta barreiras de capacitação. Apenas 18% dos trabalhadores na Espanha receberam treinamento para aplicar a IA em suas funções, número inferior aos 25% registrados globalmente. Paralelamente, somente 37% acreditam que a alta gestão de suas empresas possui a competência necessária para gerir os riscos e as oportunidades da tecnologia.

A diretora de Recursos Humanos da SDi, Maria Díez, argumenta que a substituição profissional não ocorre pela tecnologia em si, mas por indivíduos que dominam seu uso. Para a executiva, o investimento em plataformas digitais é ineficaz sem o treinamento adequado, comparando a situação a possuir um veículo de alta performance sem ter a habilitação para conduzi-lo. Díez defende que a responsabilidade pela transição é compartilhada: as empresas devem implementar a IA com método e segurança, enquanto o trabalhador deve integrar esse aprendizado à sua empregabilidade.

Quando utilizada corretamente, a IA gera ganhos de produtividade. Na Espanha, os profissionais que utilizam a ferramenta economizam, em média, 51 minutos diários — menos que os 59 minutos da média global. Desse tempo recuperado, 30% é destinado a atividades criativas.

Apesar do avanço na automação e produtividade, o pensamento crítico e a experiência humana permanecem centrais. Maria Díez ressalta que o processo mental deve preceder a ferramenta. Esse valor é refletido na percepção do mercado espanhol, onde 78% dos trabalhadores ainda consideram essencial a atuação humana de um recrutador para identificar potenciais que extrapolam as habilidades técnicas prévias.

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