Duplo terremoto na Venezuela deixa mais de 3,5 mil mortos e milhares de desabrigados
Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na Venezuela deixaram 3.535 mortos, 16.740 feridos e 17.854 desabrigados. A catástrofe derrubou 190 edifícios e danificou outras 856 construções, com impactos severos em Caracas e La Guaira. Autoridades resgataram 6.462 pessoas e atenderam 86.794 famílias
O balanço oficial de vítimas do duplo terremoto na Venezuela atingiu 3.535 mortos, conforme dados divulgados pelas autoridades nesta segunda-feira (6). A catástrofe, provocada por tremores de magnitudes 7,2 e 7,5, resultou ainda em 16.740 feridos e 17.854 desabrigados.
O impacto estrutural foi severo, com o desabamento de 190 edifícios e danos em outras 856 construções. Enquanto a capital, Caracas, registrou a queda de prédios, o estado de La Guaira foi devastado. De acordo com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, as ações de socorro já resultaram no resgate de 6.462 pessoas e no atendimento a 86.794 famílias. Paralelamente aos dados governamentais, uma plataforma de iniciativa popular estima que cerca de 30 mil pessoas permaneçam desaparecidas, número que não foi confirmado pelo governo.
A magnitude do desastre superou a capacidade de hospitais e necrotérios, exigindo a instalação de um depósito improvisado de corpos em armazéns do porto de La Guaira. No domingo (5), foram enterrados mais de 150 corpos sem identificação em valas individuais no cemitério La Esperanza, no município de Catia La Mar. Para viabilizar a futura localização dos parentes, as autoridades fotografaram cada cadáver e organizaram os túmulos por códigos e parcelas, delimitados por pedras brancas e placas com a data do óbito, 24 de junho de 2026.
A tragédia coincidiu com as celebrações da independência da Venezuela. Durante ato com a bandeira a meio mastro, a presidente interina Delcy Rodríguez — que assumiu o cargo após a captura de Nicolás Maduro em operação dos Estados Unidos no início do ano — negou a possibilidade de convulsão social diante das críticas dos afetados, atribuindo a reação da população à solidariedade.
Apesar do discurso oficial, moradores de La Guaira manifestaram indignação com a atuação governamental. Em meio aos escombros, civis tentam recuperar familiares em condições precárias, como no caso de Zuly, que permanece em uma praça ao lado de uma padaria destruída à espera do filho de 23 anos.