Empresas estrangeiras reduzem atividades em Cuba para evitar sanções dos Estados Unidos contra o Gaesa
Empresas estrangeiras, como Meliá, Iberostar, Blue Diamond e Sherritt, encerram ou reduzem atividades em Cuba para evitar sanções dos Estados Unidos. A medida decorre de uma ordem executiva contra o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), com prazo de adequação até 5 de maio
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Empresas estrangeiras estão encerrando ou reduzindo drasticamente suas atividades em Cuba para evitar sanções dos Estados Unidos, após a Casa Branca determinar o rompimento de vínculos com o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa). O conglomerado, vinculado às Forças Armadas cubanas, é alvo de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 1º de maio, que classifica a ilha como uma ameaça extraordinária à segurança nacional americana.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), do Departamento do Tesouro, definiu a próxima sexta-feira (5) como data limite para que companhias internacionais reajustem suas operações. O descumprimento do prazo pode resultar no congelamento de ativos, proibição de transações bancárias e bloqueio ao sistema financeiro global.
No setor hoteleiro, a rede espanhola Meliá confirmou a saída de 15 hotéis administrados em parceria com o Gaesa, mantendo apenas 19 unidades ligadas ao Ministério do Turismo. A Iberostar também deixou de gerir 12 hotéis associados ao grupo, preservando seis unidades do Ministério do Turismo. Ambas as redes espanholas haviam sido pioneiras na chegada ao país após a abertura turística de 1991. Somam-se a elas a canadense Blue Diamond, que encerrou suas atividades na ilha, e o grupo asiático Archipelago International, que analisa a redução ou abandono de sua presença no território.
Fora do turismo, a canadense Sherritt, que extraía níquel e cobalto desde a década de 1990 via General Nickel Company S.A., tornou-se a primeira empresa estrangeira a anunciar a saída oficial em 7 de maio.
O cenário ocorre paralelamente a um bloqueio petrolífero imposto por Washington desde janeiro. O secretário de Estado, Marco Rubio, atribui a existência do Gaesa a esquemas de corrupção e roubo, apontando o ex-presidente Raúl Castro — atualmente denunciado pela Justiça dos EUA — como fundador da entidade. De acordo com o Departamento de Estado americano, o conglomerado controla até 70% da economia cubana, com ativos estimados em 18 bilhões de dólares (R$ 90,3 bilhões).
O governo de Havana defendeu a função do grupo, alegando que ele foi criado nos anos 1990 para gerar divisas e contornar o embargo vigente desde 1962. Contudo, a saída massiva de capitais internacionais deve ter impacto imediato na economia local, com projeções de que 2026 se torne o pior ano financeiro da história de Cuba nos últimos 70 anos.