Empresas propõem substituir navios de alto custo por frota de embarcações autônomas e descartáveis
As empresas Saronic e Castelion desenvolvem o navio autônomo Marauder MUSV para disparar mísseis hipersônicos Blackbeard. A Saronic investiu 300 milhões de dólares em um estaleiro na Louisiana, enquanto a Castelion firmou contrato de 105 milhões de dólares com a Marinha dos EUA. A demonstração do lançamento do míssil pelo navio está prevista para 2027
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As empresas Saronic e Castelion, fundadas no final de 2022, propõem uma mudança estrutural na estratégia de ataque dos Estados Unidos ao substituir a dependência de poucas embarcações de alto custo por uma frota de navios autônomos e descartáveis. Atualmente, a Marinha americana concentra seus recursos em unidades como o porta-aviões da classe Gerald R. Ford, que custa mais de 13 bilhões de dólares, e o destróier Arleigh Burke, com custo aproximado de 2 bilhões de dólares. Por serem alvos prioritários e difíceis de substituir, a perda dessas embarcações gera um impacto político significativo.
A alternativa desenvolvida pelas companhias é o Marauder MUSV, um navio autônomo de 55 metros, sem tripulação e com design angular, capaz de disparar mísseis hipersônicos de qualquer ponto do oceano. A dispersão da potência de fogo em diversas plataformas baratas obriga o adversário a monitorar múltiplas frentes simultaneamente, saturando os sistemas de rastreamento inimigos com um volume de pontos de lançamento difícil de gerenciar. De acordo com Dino Mavrookas, CEO da Saronic, essa combinação de capacidades marítimas autônomas e ataque hipersônico torna a dissuasão mais escalável, acessível e rápida de implantar.
O armamento central desse sistema é o míssil Blackbeard, da Castelion. O projétil viaja a mais de cinco vezes a velocidade do som e altera sua trajetória durante o voo, o que dificulta a interceptação por sistemas de defesa aérea, como os implantados por Rússia e China. Devido à alta velocidade e manobrabilidade, o tempo entre a detecção e o impacto é reduzido, tornando a arma eficaz para atingir centros de comando e controle antes de qualquer reação defensiva.
A integração entre as duas empresas já teve etapas iniciais: no último trimestre de 2025, a Saronic utilizou o navio autônomo Corsair, de sete metros, para coletar dados de telemetria em testes de voo do Blackbeard. O próximo passo ocorrerá em 2027, com a demonstração do lançamento do míssil diretamente a partir do Marauder. Bryon Hargis, CEO da Castelion, afirma que a junção do Blackbeard com o Marauder amplia a quantidade de disparos e a variedade de locais de lançamento, reduzindo as restrições operacionais.
Para viabilizar a produção em massa, a Saronic investiu 300 milhões de dólares na expansão de um estaleiro em Franklin, Louisiana, onde duas unidades do Marauder já estão sendo construídas. A estratégia da empresa foca exclusivamente em sistemas que permitam volume industrial para alterar a dinâmica do campo de batalha. Paralelamente, a Castelion firmou um contrato de 105 milhões de dólares com a Marinha dos Estados Unidos para adaptar o Blackbeard ao lançamento por caças F/A-18 tripulados. Com isso, o míssil pode ser disparado de porta-aviões, aeronaves ou navios autônomos.
Ambas as empresas buscam captar recursos do Departamento de Defesa vinculados à doutrina de produção de material militar prescindível, similar ao programa Replicator. Contudo, a tecnologia gera preocupações estratégicas. A impossibilidade de prever o destino exato do míssil hipersônico até instantes antes do impacto pode levar defensores a dispararem preventivamente, elevando o risco de escalada de conflitos. Além disso, setores da indústria naval tradicional questionam se a fabricação de drones pode ser comparada à construção naval pesada, alertando para possíveis riscos à viabilidade dos grandes estaleiros americanos.