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Equador firma acordo de cooperação com os Estados Unidos para operações na fronteira norte

25 de Junho de 2026 às 09:02

O governo do Equador intensificou a militarização da segurança e firmou acordos de cooperação com Estados Unidos e Israel. O presidente Daniel Noboa decretou estado de exceção em dez províncias, enquanto o país registrou 9.216 homicídios dolosos em 2025. A ONU manifestou preocupação com o desaparecimento forçado de 51 pessoas em operações de segurança entre 2024 e 2025

Equador firma acordo de cooperação com os Estados Unidos para operações na fronteira norte
© REUTERS/KAREN TORO

O governo do Equador intensificou a militarização da segurança pública e a cooperação estratégica com os Estados Unidos sob a vigência de estados de exceção recorrentes. A medida, que suspende direitos constitucionais como a inviolabilidade de domicílio e correspondências, permite a atuação das Forças Armadas em ações de segurança interna. Recentemente, o presidente Daniel Noboa decretou um novo estado de exceção por 60 dias em dez províncias, justificando a ação devido a uma "grave comoção interna" provocada pela criminalidade.

Paralelamente, o governo estabeleceu que o país enfrenta um "conflito armado interno", concedendo imunidade penal a militares, civis e estrangeiros que atuem em operações de repressão estatal. No campo diplomático, o Equador assinou, em 22 de junho, um acordo de cooperação com os EUA para operações na fronteira norte, com foco no compartilhamento de informações e coordenação policial e militar. O projeto piloto será implementado na fronteira com a Colômbia. Outras parcerias de segurança e inteligência foram firmadas com Israel em outubro de 2025.

A estratégia de Noboa reflete a agenda de segurança de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, incluindo a classificação de grupos criminosos como terroristas e a abertura de uma prisão de segurança máxima em novembro de 2025. No entanto, os índices de violência no Equador continuam a subir. O país tornou-se um ponto central de exportação de cocaína vinda do Peru e da Colômbia para a Europa e América do Norte. Em 2025, o Equador registrou o ano mais violento de sua história, com 9.216 homicídios dolosos — um aumento de 30,5% em relação a 2024. Para efeito de comparação, em 2018, o número de homicídios era de 996.

Dados da Armed Conflict Location & Event Data (ACLED) indicam que a militarização não tem sido efetiva: o número de grupos criminosos ativos subiu de 24, em 2023, para 37 atualmente. A entidade aponta que a extradição do líder da gangue Los Choneros, José Adolfo Macías Villamar (o "Fito"), para os EUA em 2025, permitiu que o grupo rival, Los Lobos, expandisse seu domínio. Estima-se que mais de 70% da população equatoriana tenha sido exposta ao crime organizado em 2025.

A repressão estatal tem gerado alarmes internacionais. A Comissão de Pessoas Desaparecidas da ONU manifestou preocupação com o desaparecimento forçado de 51 pessoas entre 2024 e 2025, principalmente cidadãos afro-equatorianos nas províncias de Guayas, Los Ríos e Esmeraldas, em operações conduzidas por forças de segurança.

Internamente, a gestão de Noboa é alvo de denúncias de autoritarismo. Movimentos sociais e sindicais tentam revogar o mandato presidencial, mas alegam que o Conselho Nacional Eleitoral e o governo dificultam os trâmites legais. A Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichwa do Equador (Ecuarunari) denunciou o congelamento de contas bancárias de seus dirigentes pela Unidade de Análise Financeira e Econômica (UAFE).

A perseguição política também atingiu o sistema partidário e governantes locais. Em março, o partido Revolução Cidadã foi suspenso por nove meses por decisão do Tribunal de Contencioso Eleitoral, sob investigação de financiamento estrangeiro ilegal. Além disso, prefeitos de cidades como Cuenca, Esmeraldas e Guayaquil foram presos ou tiveram direitos políticos suspensos. Aquiles Álvarez, prefeito de Guayaquil, foi detido em fevereiro de 2026 sob acusação de lavagem de dinheiro.

A violência contra vozes críticas também é evidenciada pelo caso de Monika Silva Koniuszek. A ativista anticorrupção e ambientalista, de 41 anos, foi encontrada morta em 8 de junho. Embora o Ministério do Interior tenha sugerido inicialmente um suicídio, a perícia concluiu que ela foi assassinada por estrangulamento e golpe na cabeça.

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