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Equipes internacionais resgatam vigilante que estava soterrado há oito dias em shopping na Venezuela

02 de Julho de 2026 às 12:07

Equipes internacionais resgataram, nesta quinta-feira (2), o vigilante Hernán Gil, de 43 anos, soterrado há oito dias em um shopping na Venezuela. O homem foi localizado em sua guarita após escavações e levado para Caracas. A região sofreu dois terremotos em 24 de junho, com 2.295 mortos confirmados

Equipes internacionais resgatam vigilante que estava soterrado há oito dias em shopping na Venezuela
Federico Parra / AFP

Equipes de resgate internacionais localizaram e retiraram, nesta quinta-feira (2), Hernán Gil, um vigilante de 43 anos que estava soterrado há oito dias sob os escombros de um shopping em Catia La Mar, na região de La Guaira, Venezuela. O homem foi encontrado na guarita de segurança onde trabalhava, após três dias de operações ininterruptas de escavação por duas rotas simultâneas.

A operação envolveu socorristas da Venezuela, Estados Unidos, El Salvador, Costa Rica, Portugal, México e Chile. Para viabilizar a retirada de Gil, as equipes precisaram reforçar a estrutura inclinada do prédio com ferro e madeira, evitando um desabamento total. Durante o processo, o homem recebeu hidratação por sonda e suporte respiratório via tubo. Após o resgate, ele foi transportado por ambulância para Caracas, situada a 40 quilômetros do local.

O resgate ocorreu em um cenário de baixa probabilidade de encontrar sobreviventes, após a cidade ter sido devastada em 24 de junho por dois terremotos com magnitudes de 7,2 e 7,5 graus. O balanço oficial registra 2.295 mortos, enquanto a ONU estima que quase 50 mil pessoas continuem desaparecidas. De acordo com o governo, de uma população de 30 mil habitantes em La Guaira no dia do desastre, 6.461 foram resgatados e mais de 13 mil deixaram a região.

A magnitude da tragédia levou a presidente interina, Delcy Rodríguez, a decretar sete dias de luto nacional. A gravidade da situação é evidenciada por imagens de satélite da Nasa, que apontam danos ou destruição em 58 mil edifícios. O impacto econômico é estimado pela ONU em 6,7 bilhões de dólares, o que representa 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.

A crise humanitária se intensifica com a falta de abrigo e alimentos. O governo contabiliza quase 13 mil desabrigados, porém a ONU projeta que esse número possa chegar a sete milhões de pessoas. Muitas delas permanecem em acampamentos precários, estacionamentos e quadras esportivas. Diante disso, o Programa Mundial de Alimentos solicitou 50 milhões de dólares à comunidade internacional para assistir 500 mil pessoas por três meses, lembrando que, mesmo antes dos sismos, cerca de 8 milhões de venezuelanos já necessitavam de ajuda humanitária.

Além da escassez de recursos, a Organização Mundial da Saúde alertou para o risco de epidemias e a pressão extrema sobre o sistema de saúde. No total, 27 países enviaram especialistas e cães de busca. A ONU também anunciou o fornecimento de 10 mil sacos mortuários para a região.

Enquanto o governo venezuelano, que reaproximou relações com Washington após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, planeja um processo acelerado de construção de moradias, a oposição exilada pede que os Estados Unidos excluam a gestão atual da reconstrução, alegando corrupção.

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